sábado, 27 de dezembro de 2008

As Palavras Que Você Não Vai Ler

A dor é o princípio de todo sentimento verdadeiro. Exemplificar é desnecessário, e eu sempre o faço. Mas, desta vez, vou poupar-lhes. Sinto apenas uma necessidade de dizer, sem significado, relevância ou objetivo. Apenas para soltar, desprender, deixar...
Deve ser apenas o princípio, e não o fundamento, e não a base. O bom é que a dor sempre vai embora - mesmo que temporariamente. E aí se prova: se tal sentimento é verdadeiro, permanece e existe independente dela. Se não, pode ir embora junto.
O que dói é não saber até onde vale a pena, qual é a profundidade do lago, até onde posso nadar sem me afogar. O fato é que quando a água está boa, a gente nada, nada, nada e esquece. Lá vou eu e minhas metáforas infames. A certa altura, volto à mim e me pergunto se devo ou não prosseguir. Não sei até onde a água bate.
Quando eu voltar à beira, as gotinhas vão escorrer do meu corpo e cair no chão, e, mesmo que demore e até lá eu sinta frio, cedo ou tarde estarei totalmente seca.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Paradoxo

Hoje minha incerteza quase vira decisão. Que, por ter sido por razoável tempo incerteza, digo quase. Porque pode voltar a ser incerteza, você sabe. Mas não entenda como um ato desesperado de quem pede pra ficar. Hoje não vou mais pedir nada. Hoje é meu paradoxo. Hoje é minha solidão.
Não é estranho nos sentirmos assim, quando tudo supostamente ia bem? Já cheguei a pensar que o efeito é parecido com o das drogas. Num dia, a alegria e excitação. No outro, a depressão. Porque a euforia "gasta" as endorfinas do cérebro, e como são muitas, todas ao mesmo tempo, acaba não sobrando pro dia seguinte. E aí, a depressão.
É, poderia ser assim. Como num dos milhares de filmes que assisti nas últimas quarenta e oito horas. Dizia "sem o amargo, o doce nunca é tão doce". Mas já provei do amargo e do doce, e apesar de não em tão variadas formas, eu posso dizer que os conheço. Pelo menos o bastante pra saber que todo esse amargo de hoje não é conseqüência do doce de ontem. Não foi tanto assim, não está proporcional.
E não vem ao caso discutirmos a proporcionalidade ou o equilíbrio ou a equivalência de ambos, se um é mais pesado que o outro e por isso vem em quantidades diferentes - não vem ao caso. A questão é o paradoxo.
Sinto-me numa chuva de canivetes onde não posso usar um guarda-chuva apropriado para me defender. Isso porque havia uma linha em nosso contrato que dizia que o risco de chover era muito improvável. Vim sem guarda-chuva e sem escudo.
Mas choveu. Confesso que arrumei um jeitinho de me defender, e no fim do dia, saí quase ilesa da chuva. Alguns arranhões e coisa e tal, mas, viva.
Confesso que depois da tempestade, pude ver o céu, e ele estava lindo. Ela serviu para que eu visse o céu que sempre esteve ali, mas nunca tão azul - ou talvez há tempos eu não olhava para ele. Bom é acabar esse post de modo otimista. Nada como boas e velhas conversas que nos fazem lembrar quem somos. Não vai ser um canivetinho qualquer pra me deter.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O Desnecessário

Parafraseando um texto que li por aí, "a gente logo vê quando alguém vai ser muito importante na nossa vida". Assim, logo, de bater o olho e entender sem entender. O tempo vira uma coisa louca, tudo acontece tão rápido, e, quando vai ver já passou tempo considerável para dizer, nossa, mas já? Parece que foi ontem! E foi assim, logo de cara, um dia qualquer, te quis trazer à minha vida.
Ontem poderia ter sido um dia qualquer. Tinha tudo pra ser. Quinta-feira, acordar cedo, trabalho, sono, café, desespero pós-almoço, conformismo no início da tarde. Tudo igual, tudo como sempre - até tocarem a campainha.
Tanto significado num pacote tão simples, mas tão sofisticado e tão lindo e tão-bom-gosto! A gente logo vê, e depois a gente vê que acertou. Nesses momentos inesperados e tensos, em que uma simples frase dentro de um cartão é capaz de te fazer tremer as pernas e ficar incrédulo, eufórico, besta.
Era desnecessário. Meu dia acabaria como os outros, e eu pensaria em você antes de dormir, como nos outros. Mas não. A diferença. Foi além. Fez aquilo que não era preciso, não era necessário. Fez o inesperado, o inescrupuloso, o chocante, o intenso. Arrancou de mim um sorriso e uma lágrima. Plantou em mim um sentimento inesquecível, que muito anseia germinar.
A gente logo vê, e, ah, que magnânima visão!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Os dois abraços - pt. II

O ar condicionado irritava levemente a minha garganta. Mas estava tudo tão confortável naquele espacinho apertado do banco. Na verdade não era a temperatura ambiente, eram as luzes que, depois de tantas horas, eu passava a reconhecer. Era o lugar. Eu respirava numa euforia incontida - era domingo, e logo logo seria segunda-feira! Ah, como eu esperava pelas segundas-feiras (você nem soube)!
Trafegávamos pelas ruas onde só o que víamos era a sinalização, que correspondia ao farol do carro conforme ele as iluminava. Mas eu sabia que estávamos verdadeiramente perto, quando o rádio tocou a nossa música. Meu coração acelerou, e eu queria correr porque de tanta euforia eu chegaria mais rápido correndo. Sempre tão musicais nossas conversas. Você nunca entendeu mesmo o que eu queria dizer?
Lembro que te fiz ouvir repetidas vezes aquele CD. E agora, uma delas tocava num dos silêncios mais lindos do mundo. Sentia as palhetadas nas cordas do violão gravado, e, ah, eles me entendiam. Estou ensaiado para te tocar.
Há quase um mês estava fora, e sabia que estava tão esquecida que podia ser melhor morrer ali mesmo, com tanta saudade, com tantos planos, mas ainda sem decepções. Aprendi a tocar a música que você gosta, só pra poder cantar pra você. Ai, como eu queria que fosse o meu violão. Quase um mês, e, mais do que nunca, eu sabia muito bem o que queria. Quase um mês sem um contato, sem uma foto. Só as músicas, que sempre me traziam você. Que me causavam muito mais que uma foto ou uma carta poderia causar.
A música que todo mundo descobriu depois de nós. E repetiu incansavelmente na novela, no ônibus, na rua. E tinha mesmo que repetir, porque sempre que eu a escutava por acaso, era uma esperança nova, um quem sabe ela escute e também pense em mim. Na novela onde eu nos via, e você me disse também eu gosto de Maná. E eles tocavam para elas. E eles tocavam para nós.
Quase um mês à espera que passasse. Senti minha vida parar. E agora, as luzes, a música, o caminho. Tudo estava me trazendo de volta à vida, porque estava me trazendo de volta a você. Mas nunca me iludi. Sempre soube que esse sentimento foi meu, só meu.
Agora, todo esse tempo depois, desse quase um mês, só lembro de uma coisa. Quando, na preguiça, aquele acabamos de chegar que fome vamos pedir uma pizza, o telefone tocou. Era ela.
- Eu senti sua falta.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Acima da Carne

Hoje você já me tirou o sono. Mais uma vez. Vou dormir lá pelas tantas, e, quando acordar, não vou conseguir me mover. Mais uma vez. Não pelo sono acumulado, pelas poucas horas (que, como serão bem dormidas, de certo vão compensar mais que muitas mau, só que deixa essa conta pra lá), ou pelo despertador irritante.
Ao abrir minhas pálpebras pesadas e inconformadas (como sempre acontece quando são perturbadas antes do tempo) e tomar consciência de mim, do hoje e do agora, não vou conseguir me mover. Isso porque estarei exatamente como estou agora: mirando essas quatro paredes com as quais me deparo em quase todos os abrires de pálpebras já há alguns anos.
Todo esse tempo, e continuam as mesmas amarelo-esbranquiçadas paredes. Desculpem-me, paredes, se as constranjo com tamanha cara-de-pau, mas não é a vocês que eu vejo.
A vejo nas paredes, no chão, no chuveiro, naquilo que se repete e naquilo que se modifica. Principalmente nas músicas, nos sorrisos e nas paisagens. Se tal ausência, ainda pouca, já me causa isso, que ainda resta pra falar, imagine se a ausência tal se estender por mais dias e menos acessos!
Estou, então, imóvel, estagnada, imaginando, construindo, relembrando, e quando vejo, a hora passou. E, como uma adolescente irresponsável (que sou), disparo à próxima etapa. Onde vou me perder mais uma vez porque é certo que você vai estar e vai aparecer, talvez em mais uma dessas paredes geladas.
Atraso na segunda, dia um.
É que vim da lua, meu caro. Vim das nuvens. E é longe de lá àqui.
Essa semana, especialmente. Semana um. :)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Os dois abraços - pt. I

E R A sempre depois das nove. Depois que os granulados dos brigadeiros já começavam a virar farelo e manchar as forminhas de papel. Depois que o CD com suas músicas já havia tocado duas vezes, e pediram pra trocar. Nesse exato momento (quando as esperanças estavam para se esvair), Ela chegava.

O teu perfume inebriante perdura o instante, a rua inteira levitar.

Sei que, naquele ano (como nos outros), esperei o ano todo. E se ela não fosse, esperaria um ano mais. Só para receber os dois abraços. Um, pelos parabéns. O outro, pelo "desculpa a demora". E só então, depois das nove, eu dava o primeiro sorriso verdadeiro da noite.
Como aconteceu no ano anterior, como aconteceria no ano seguinte. Quando o silêncio retomava o espaço físico por onde ela acabara de passar, eu me recompunha e dormia feliz. Sonhava que ela calculasse o momento certo. Só pra não ser tão fácil e ameaçar não aparecer. Só pra que eu ficasse agoniada, esperando. Só para que fosse maior o efeito quando apertasse a campainha. Sabe esses joguinhos sádicos de amor?
Quem dera fossem!
Só para me dar dois abraços ao invés de um só.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

6:25

O R E L Ó G I O fez um barulhinho quando ele apertou para ver as horas. Pense na luz azul-pequeno e os números fora de foco (era noite, e era tarde). Sabe essa época de relógios digitais com pulseira de borracha? Ah, o cheiro de borracha dos tênis novos, da bolinha e da raquete!
Pensei que jamais viveria sem o Paulinho.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Solidão

E X I S T E S E N S A Ç Ã O mais auto-predatória que a de descobrir que, ao olhar em volta, só restou você, você, você, e mais nada?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Isso ou As coisas que não dão certo

N O C O M E ÇO, a gente ignora, vai empurrando com a barriga, se faz de cego, de surdo, de burro. Sempre esperando que isso passe e se resolva sozinho. Mas isso não acontece, né? Então, chega uma hora que algo precisa acontecer. Talvez a gente ganhe intimidade pra reclamar e dizer eu não gosto disso disso e disso, e ouvir também os eu não gosto disso disso e disso. Um abraço e um alívio - acho que agora as coisas vão caminhar para nós.
Alguns cumprem com a promessa e evitam o isso isso e isso. Mas, sem perceber, depois de um tempo, começa tudo outra vez (ou são novos os issos issos e issos). Ou nem se preocupam em tentar mudar, continua tudo igual. E os inhos vão ficando ões, os issinhos vão ficando issões, e quando a gente vê tá gritando, surtando no meio da rua, e quebrando tudo.
Uma crise. O castelinho de sonhos desmoronou e você foi o culpado (Culpado!), como pôde? Não, o culpado foi você com todos os seus pontos nos is. Antes ficasse quieto.
Mas não, não conseguem ficar longe um do outro, e acabam se procurando por aí. Vamos mudar. Vamos começar do zero.
E lá vão eles, tudo outra vez.
Detesto ser humano e tão previsível!

Mas é que a tua ausência é o que me dói no calcanhar.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Se amanhã não for nada disso

C A B E RÁ só a mim esquecer.

Me dá um beijo, então. Aperta a minha mão. Tolice é viver a vida assim, sem aventura.
Deixa ser pelo coração. Se é loucura, então melhor não ter razão.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O Cara da Gaita

H O J E o meu dia começou diferente. Não porque eu escovei os dentes antes de tomar banho. Nem pela discussão de ontem que eu perdi.
Enquanto esperava o ônibus, um lindo casal de velhinhos passava na rua. De mãos dadas e com tênis de caminhada. Ele, com o cabelo mais branco que a camiseta. Ela, de cabelo curtinho e bem vermelho. Passeando, que nem dois namorados, coisa mais linda.
Sentei-me num dos primeiros bancos do ônibus, lá na frente, next to the roleta, do lado da janela, e fiquei olhando a cidade passar até que eu chegasse ao meu destino. Olhando, assim, sem ver, como sempre. As mesmas ruas, e o mesmo etc. Até que me levanto quando nos aproximamos do ponto onde tenho que descer. E, na jornada entre meu banco e a porta (lá atrás), ouço uma musiquinha. Não dou muita bola até ver de onde vem o som.
Um senhor com cara de doidinho, os olhos vidrados, tocando gaita. Dentro do ônibus. As pessoas estavam meio apreensivas (o que será que ele vai fazer depois?), mas eu fiquei com vontade de dar uma dançadinha, apontando pra ele, e dizendo: é isso aí, cara! Valeu!
Não só dar uma dançadinha ali no ônibus. Deu vontade de nem descer, de ficar ali, de ir com ele pra festinha onde ele ia tocar em plena quinta-feira de manhã.
Mas é isso que nos separa. Ele quis tocar, e tocou. Eu quis dançar, mas fingi que nem vi, como, acredito, o fariam (e o fizeram) a maioria das pessoas. Fingi que ele nem deu uma corzinha a mais no meu dia. E, com uma trilha sonora à melhor cena alegre de filme brasileiro, desci do ônibus me sentindo o próprio Matheus Nachtergaele.
É isso aí, cara! Valeu!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O Silêncio das Estrelas

E U estou,
sinceramente,
literalmente,
profundamente,
CANSADA
de sentir Saudades.

sábado, 27 de setembro de 2008

Now he's back home doing nine to five, living a gray flannel life. But when he turns off to sleep, memories keep: more, more, more...

S C R A T C H M E
Scratch me again
Scratch me
To leave your trail in my skin

So sniff my neck
Bite it or my shoulder
Turn me red or purple
Turn me on

You know what you cause in me
and you really seem to like it
Do you feel the way I do
when our fingertips get in touch?

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Ser ou não ser

S U A O U de ninguém;
Quisera eu escutar meu coração, mas ele chama pelo nome tão velho (daquele fantasma que te comentei outro dia). E só chama por chamar, não porque quer sentir suas batidas (peito a peito) novamente. Assim fosse, só, o meu coração dispararia com o vulto fantasmagórico (ou algo que o valha) que assombra o meu espelho (o do banheiro, que guarda a escova de dentes verde que ainda uso, a que comprei pra você e já pertenceu à sua boca).
Não. Ele dispara contra o sol (forte, por acaso) e me treme as pernas com o sabor das pitangas caídas na avenida Paraná. Mas não pelo sol, nem pelas pitangas (nem comer pitangas já comi). As frutinhas não bastam, nem o calor, nem os militares de regata branca que demoram quase mais que os carros pro sinal abrir, e gritam e assustam prometendo segurança. Ah, tão inseguros, tão iguais, tão fardados, tão pais de família classe-média!
Tenho essa mania de olhar o celular, fingindo querer saber as horas, mas na verdade confirmando que ninguém se lembrou de mim nos últimos setecentos minutos (às vezes, mais). Já tive relógio, mas quebrou, assim como o tempo.
Agonia enquanto você não volta, que não sei pra onde foi, nem se volta. Mas vou esperar.
Hoje.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Sweet

I ' M G E T T I N G so stupid, so old fashioned, but I don't care at all 'cuz you held my hand and then I just didn't want to be anywhere else in the world.

domingo, 14 de setembro de 2008

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terça-feira, 9 de setembro de 2008

O Ponto Culiminante (pt. I)


F O I C O M a garganta navalhada de mágoas que, pela primeira vez, me virou as costas e saiu. Fiquei onde estava, acho que permaneci de queixo caído por alguns segundos. Não por estar surpreendida. Aliás, eu já esperava isso há algum tempo. E foram as mesmas cenas, só que com outro personagem. Fiquei onde estava. Ainda estou onde fiquei. Boquiaberta.
Chegou então, o Ponto Culminante. Aquele sobre o qual tanto tentei te alertar. Isso está ficando perigoso, eu disse, e você riu, me provocando. Perigo! Agora não posso pensar em você.
Estou sentada, então, no ponto culminante. Exatamente do jeito e no local onde você me deixou. Comecei a fazer essas anotações sem saber bem onde ia chegar. Apenas para dizer que o ponto culminante não me cutuca pois estou boquiaberta e inatingível. E pra dizer que esse é o momento de uma decisão drástica.
Sempre fui de fazer dramas, e com você não poderia ser diferente. Eu sabia que não ia ficar tudo assim tão bem como era. E é engraçado eu nunca ter feito anotações sobre as maravilhas e bons momentos assim, tão didaticamente, e tão factual.
Faz algumas horas e eu não sei se vou ou se fico. Não devia ter brincado, não devia mesmo. Estou arrependida - e isso é tudo o que eu não devia estar. Eu deveria estar em outra, passeando de carro com os cabelos ao vento, indo para uma Aventura Qualquer, vendo Sessão da Tarde ou vomitando no banheiro do bar.
Ahhh, tão bom-demais-pra-ser-verdade, que eu fiz questão de deixar ruim, só pra não fugir à regra! Gosto da nossa coisa sem regras, e gosto mais do que deveria gostar. E eu falei pra você que era tão idiota ficar se policiando! Gosto e não entendo toda a sua paciência e disposição!
Céus, me vacinem! Estou apegada. E, estranhamente, com um nó na garganta desde a noite passada. (e agora, ou o Ponto Culmina para o Fim, ou para a parte II)

outro grande erro da minha matemática: ouvir músicas de amor.

Eu quero a diferença que me faz te olhar de frente.
Deixa eu te levar. Não há razão e nem motivo pra explicar que eu te completo e que você vai me bastar.
(Tolerância, Ana Carolina)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Um Post Babaca

C O M O J Á diz o título, e, pra ser ainda mais babaca, vou usar da redundância (mais uma vez, pois já a usei) e avisá-los (o que já foi avisado): hoje vou fazer um post babaca.
Babaca. Idiota.
Substantivos assim, comuns de dois gêneros. Servem para ele, o post. E para mim, a postadora (neologismo idiota). Pois penso que é isso o que você pensa sobre mim. Que sou babaca, idiota e burra. Estou repetindo não para economizar vocabulário, mas por não ter mais vocabulário para me expressar.
Assim, simplória, sincera e babaca. Hoje estou tão humana. Sinto inveja e sinto raiva. De várias coisas, sobre vários rostos. Daquilo que eu deixei morrer. Daquilo que eu me transformei. De mulher super interessante e cheia de mistérios (inclusive os da carne) para ensinar, a uma qualquer-coisa aspirante à alguma imitação, de vocabulário curto, fala pobre, ambigüidades quase sem vírgulas e sem conteúdo.
E, se fosse isso, só pra cavar o fundo do poço (onde me encontro nessas linhas) ainda mais fundo, eu te atestaria minha superficialidade dizendo mas eu emagreci e até pintei o cabelo! Falaria com tanta convicção, com aquele meu sorrisinho irritante e as mãos espalmadas indicando que isso é óbvio, que confie em mim (que paro nessa posição com a boca aberta). Mãos espalmadas com unhas mal-cortadas. Talvez seja isso. Talvez eu devesse fazer as unhas, talvez.
Ah, esse mundão (!) e suas injustiças. Tudo o que tive em mãos (inclusive você, que deve querer se esquecer disso) deve ter sido única e meramente um fruto do acaso, da sorte, de um vento favorável que me fez fechar o olho direito porque estava contra o sol, e te fez achar tal gesto charmoso. Sei lá. Só não entendo porque foi que tiraram de mim essa sorte e doaram para eles, que tanto fedem e nem sabem fazer Pen Spinning!

Talvez, se não fosse o chips, eu teria evitado as baratas. E se eu tivesse sentado mais para trás, eu teria evitado o cocô da pomba. (b-a-b-a-c-a!)

sábado, 30 de agosto de 2008

Esqueça

A S S I M É Q U E vão ser todos os frios todas as escuridões e toda a solidão? Meu pesado casaco vermelho nunca vai me dar o calor que eu preciso nesta noite e em todas as próximas? Será mesmo que seus braços o roubaram (meu calor) e, assim sendo, hei de padecer sentindo frio se eu não estiver sentindo você?
Não é por nada, mas hoje eu daria o meu casaco vermelho e todas as roupas do meu guarda-roupa e até as do meu corpo para poder ser esquentada pelo teu abraço que tanta falta me faz. O teu abraço, e eu faria um doce para comermos enquanto assistimos algum filme qualquer, nunca importou qual fosse. Só me importava a brincadeira de nossas mãos debaixo do edredon amarelo, que também me tem feito tão fria ultimamente.
Tua imagem me vem tão falha e fraca, está sumindo da minha cabeça. Evito ver fotos e até lembrá-la, mas as noites como hoje me provam que eu nunca mais fui eu sem você, e que, mesmo sem rumo ainda sou sua, sem rumo e nua, mas nem todo o meu enxoval te traria de volta pra mim.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Invisível

A C H O Q U E se foram com o vento. Esqueceram de me avisar. Talvez haja algo, aqui, nesse espaço de tempo, vindo para aniquilar a raça humana. E eu fiquei. Eu fiquei porque não sei o que esperar. Porque eu não tive a mesma pressa de partir. Porque eu nem soube que me deixariam aqui. Não restaram marcas, fotos, nem pó. Se foram como vieram: rápidos, indestrutíveis.
Intensos.
Perceptíveis.
Perturbadores.
Foram e levaram meus mais preciosos bens. E não foi de mim que quiseram fugir. Antes fosse. Antes eu tivesse a certeza de que estar sozinha aqui me levaria à auto-destruição semi-instantânea que serviria como uma libertação da humanidade. Mas não sou uma ameaça.
Fui esquecida e algo está por vir.
Algo que eu não sei e não tenho a quem perguntar.
Passo esses meus tempos a desejar que esse algo venha logo e me salve desse tempo desse tempo desse tempo que me mata (mas não mata) mais.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

I T W A S N ' T for me. I'm not supposed to make anything become real. If I was, I would have understood what is that thing you're talking about. But I didn't get it. So, it's talking about someone else. I don't have to complain - I know I'm not the only one, and I did ask you to keep things going like this. But I don't know, maybe I wish I was, like that thing you scream for every week.
Nevermind.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Couple of Things to Forget

I L O V E people who produce with pleasure. Not in a mean of work, but in a manner of pleasure and fun, only. They're lovely. Those silly smiles, those bright eyes, as if everything was so simple and natural. They just seem so natural doing the stuff they do. As if there wasn't anything else. Just the music, the cigarette, the beer. These kindda so-everyday-things get so sophisticated and admirable upon their hands, that seem to touch so soft and subtle! And they get there forever, doing their stuff, having fun and being so true to themselves and the other's. Sometimes I feel like them. I felt it so real last saturday night. But it was just a dream over.
I know, I know. They may have jobs to survive. They may have accounts to pay and lots of things to be worried about. Just like me and you. I guess they do. And I'm gonna be this one next twenty treeth. I'm gonna be all I wanna be. I don't have to care for you anymore. I'm glad I'm free and this is such a cruel thing to say. May be painful to read. That's why I don't want you to read it. I'm just not lying this time.
Actually, maybe I'm not ready to breath alone yet, and that's why it's being so easy to deal with. I've wrote this language because this is the language they use to sing - and also I do. I can go wherever I want because my phone will not ring anymore. I know I'll miss it. But let me enjoy what's still here, left after you. Maybe I've liked the way you shave your hair and I'm sure it's because of your smile. We're gonna be great and paceful. Hope we be fine.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

I miss you.
Miss you so bad.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Caminhos Cruzados

V O U U T I L I Z A R as palavras de outra pessoa porque nesse momento eu estou meio que feliz demais e assim me fogem as minhas. Não porque a felicidade não seja um sentimento digno de ser escrito. Aliás, só estou aqui escrevendo porque a felicidade merece que não sejam apenas palavras alheias. É que, junto com essa alegria, estou também ansiosa, eufórica e impaciente, e, isso sim, faz com que as idéias só fiquem na minha mente e eu não consiga parar e me concentrar o suficiente para deixá-las bonitas e verdadeiras. Portanto, vou utilizar de João Bosco porque ele, aqui, está falando por mim.



Quando um coração que está cansado de sofrer
Encontra um coração também cansado de sofrer
É tempo de se pensar
Que o amor pode, de repente, chegar
Quando existe alguém, que tem saudade de alguém
E esse outro alguém não entender
Deixe esse novo amor chegar
Mesmo que depois
Seja imprescindível chorar
Que tolo fui eu
Que, em vão, tentei raciocinar
Nas coisas do amor
Que ninguém pode explicar
Vem, nós dois vamos tentar
Só um novo amor pode a saudade apagar

Deixa esse novo amor ...



(...) Pois minha dúvida se esvaiu! Agora sei que eu acredito em destino! Não foi em vão que abri aquela porta bem naquele momento, e isso faz com que minha medíocre vida, enfim, tenha algum sentido. Que mesmo quando pareça inútil, no final vai ser explicado.

Now you are inside my head.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Nostalgia pt. I

C H E G U E I E M casa hoje, e, com o barulho de minha chegada, que é estrondosa, alguém logo gritou:
- Vem ver! Vem ver!
Elas estavam sorridentes. É engraçado como a nostalgia causa esse sentimento de felicidade. Uns sete álbuns em cima do balcão, fotos antigas espalhadas sobre a mesa. E o sorriso nos lábios delas, ao relembrar de tantos anos atrás. Tinha até uma minha, que é clássica. Eu, no sofá, com um ano de idade, vestida de Papai Noel nesse calor de Foz do Iguaçu, pra não dizer palavrão, ou, calor da porra. Cruel, não?
As mais recentes eram de 2004, ano em que, se não me engano, compraram a tão obsecada Câmera Digital. São quatro anos de recordações que estão estocadas e entulhadas aqui nesse computador de onde vos escrevo. Leia-se que esta minha querida e amada máquina que ainda minhas angústias guarda, está também estocada e entulhada de vírus. Ou seja, no vocabulário popular, os 41,2 por 15,5 por 42 centímetros e quase seis quilos do meu gabinete estão sendo cruelmente disputados pelas fotos e vírus, numa batalha injusta e sem mediador, sem juiz.

(...)

domingo, 6 de julho de 2008

Química

- P O D E E N T R A R, fique à vontade. - falou assim, automaticamente.
Sentou-se e repousou a bolsa branca de tecido no colo, sem saber direito o que vinha.
- Chá?
- Não, obrigada...
Ofereceu só pra ser anfitrião, pois eram coisas que anfitriões deveriam fazer. Virou-se para não ser observado nos olhos, e, lembrando que não tinha nada a perder, resolveu arriscar:
- Vodka?
- Por favor!

Não era comum tomarem álcool nesses tipos de reuniões. Apesar das roupas, perceberam-se não-comuns e sorriram disfarçadamente, por dentro.
Não obstante, foi naquele momento que se descobriram para o resto da vida, e além.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Leve



N Ã O M E leve a mal, me leve à toa pela última vez a um quiosque, ao planetário ao cais do porto, ao paço.
O meu coração (meu coração, meu coração) parece que perde um pedaço.
Mas não me leve a sério. Passou este verão. Outros passarão. Eu passo.
Não se atire do terraço, não arranque minha cabeça da sua cortiça.
Não beba muita cachaça, não se esqueça depressa de mim, sim?
Pense que eu cheguei de leve, machuquei você de leve e me retirei com pés de lã.
Sei que o seu caminho amanhã será um caminho bom, mas não me leve.
Não me leve a mal, me leve apenas para andar por aí na lagoa, no cemitério, na areia, no mormaço.
O meu coração, (meu coração, meu coração) parece que perde um pedaço, mas não me leve a sério.

Passou este verão.
Outros passarão.
Eu passo.

(Leve, Chico Buarque)

domingo, 22 de junho de 2008

Um pouco de verdade

Q U E S E se foda a literatura, a música, o cinema. Que se fodam todas as artes, da primeira a última. E, principalmente, que se fodam todos aqueles que um dia inventaram glamour nas cenas de loucura. Que se foda Paulo Coelho e sua Verônika que decide morrer. Até a Pitty, que se foda, com aquele Anacrônico de camisa-de-força.
Isso não é glamouroso.
Isso não é engraçado.
Já fui como vocês, que via beleza e poesia em remédios de tarja-preta, em terapias de choque e em vândalos descabelados gritando dialetos indecifráveis.
Mas isso não é bonito.
Isso não é poético.
Isso é triste.
Isso é doloroso.
E dói pra caramba.
Isso não me traz inspiração.
Eu não vou escrever um texto bonito. Eu não vou usar palavras difíceis. Só escrevo porque isso aqui faz algum sentido pra mim. Não é aqui onde guardo alguns dos meus sentimentos? Pois também esse quis guardar. É chato ler tanta gente se achando doente quando na verdade não é. Tanta gente que nem sabe como isso dói.
Não é brincadeira, dói de verdade. Uma dor que me corta o coração (não vou nem fugir dos clichês), ver você assim e não saber o que fazer. Eu queria não me importar, eu queria saber virar as costas e deixar passar, me distrair. Mas eu não consigo. Dói.
Já estou fraca demais pra agüentar você sumindo, você surtando, você nunca-bem. Como eu queria que fosse tudo normal. Como eu queria que ficasse tudo calmo.
Mas é o telefone tocando e me ameaçando, dizendo coisas feias que eu nunca queria ouvir da sua boca. Eu não consigo mais. Esse peso é demais pra eu carregar. É tão-mais-que-eu, que já aprendi que o único jeito de manter um pouco estável é eu deixando de ser eu pra ser você.
Dói mais ainda saber que não é culpa sua. Que, por você, poderíamos ficar bem. Talvez fosse até a sua vontade. Se não fosse essa coisa que te domina e te faz me machucar. Adianta procurar ajuda? Adianta escrever?
Sei que também tenho culpa. Mas foram minhas fraquezas, foi o meu desequilibrar com o peso que carrego. É tão doloroso te olhar mas não te ver. É tão doloroso te olhar e não te reconhecer.
Eu queria que nossa relação não fosse doente psicótica ego-dependente. Eu queria que fôssemos de andar de mãos dadas na grama, de abraçar pra aproveitar o frio, de esperar o sol se pôr e de ter tanta intimidade pra ficarmos dançando na cozinha enquanto esperamos o pão de queijo assar.
Eu queria que, por uma vez, seu sorriso não viesse com sarcasmo. Eu queria que, por uma vez, o nosso dia terminasse bem.

quinta-feira, 12 de junho de 2008



E R A U M A tortura ver seus dedos deslizando pelo violão. Eu via um gesto obsceno - e você o prosseguia ali, no palco, com todo mundo vendo. Eu te avisei. Eu gritei e falei cuidado com seu zíper ele pode abrir, mas você não me ouviu. Você não ouviu ninguém. Você permaneceu lá, intocável, como se estivesse numa altura superior a nós, como se nada pudesse te atingir. E um dia você foi assim comigo. Eu lembro. E agora é o violão que sente o seu arrepio. Fico no lugar onde você não me vê, onde não vês ninguém. Pois está acima de todos, e vai continuar assim até o concerto acabar e o violão suspirar o seu orgasmo pleno. Quem dera.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Inexplicável

S O U I M P A C I E N T E, e às vezes me incomodo com as coisas inexplicáveis. Confesso que sumi daqui de perturbação. Mas já passou, eu acho. Essas coisas que se dissolvem com o tempo. Às vezes eu ainda encontro pedacinhos de pó no meio das minhas roupas, pedacinhos do que um dia foi dissolvido, e só de encontrá-los e lembrá-los parece que, como química, o pó se dissolve na agüinha que sai dos meus olhos e se refaz, talvez até mais forte. E tudo é sobre força.
Eu ficava muito irritada e impaciente por não entender aquilo que alguns acreditavam ser inexplicável. Eu perguntava, sabe? Ao redor, aos ventos, por que é que as coisas são ou têm que ser assim? E ele me dizia que era coisa de coração, que era inexplicável. Mas não. O tempo me fez enxergar enquanto dissolveu o pedacinho de pó no qual você ressurgiu aqui.
Eu sou fraca. Exatamente tudo aquilo que você não queria: uma pessoa fraca. Eu fui Eu Demais, e te mostrei além das minhas fraquezas. Te mostrei minhas cicatrizes e meus pequenos arranhões. Você não queria saber. Você não queria ver isso. Você com seu semblante de mistério que adora sustentar, é tão fraca quanto eu. Mas você esconde. E você quer alguém que saiba esconder tanto ou igual a você. Você quer alguém "forte".
Eu sei quem parece ser forte e isso me consola. Essa força é forjada - todo mundo é fraco. Mas é tão imponente e tão admirável mentira que cativa, que seduz. Os seres humanos e suas artificialidades. Eu não. Sou fraca, sou eu, sou de carne, osso e algumas histórias pra contar. Em algum momento, senti muito por não ser tão cativante, ou por ser natural demais. Você sabe, esses meus impulsos, essa minha natureza.
O tempo não me mostrou apenas o abismo que nos separa - que também é mais feito de mentiras do que de verdades - mas também me fez ver além das suas fraquezas. Vi tantas coisas que você nem sabe.
Não deixei de te admirar por ter te descoberto. Aliás, o manto que te esconde nunca me enganou. Eu sempre consegui te ver. E isso não se compra, não se produz, não se pinta, não se finge. É assim, natural e inexplicável.

P.S.: Caso vocês não tenham percebido, eu adoro composições com o prefixo IN.

domingo, 11 de maio de 2008

Garrancho

E U J Á P A S S E I daquela fase em que eu achava que só poderia ser útil à noite. Que eu deveria estudar à noite, trabalhar à noite, porque durante o dia eu não conseguiria produzir. De fato, ainda tenho a tendência de ser mais intelectualmente ativa à noite. Mas descobri o café e o jornal das manhãs. E descobri que pores e nasceres do sol me angustiam porque são o espectro físico que representa o fim em sua mais natural forma. O fim do dia, o fim da noite. É a hora que termina, a hora de ir embora, é quando as chances acabam, é a hora de desistir. E não há nada que a gente possa fazer quando o sol está indo embora - ele está longe demais.
Porém, a noite ainda me fascina. As luzes da noite. Pergunto-me se mais alguém tem essa incrível sensação de noite. Não há como descrevê-la. Poderia dizer que é como uma sensação de vazio que não fere. Mas não é bem assim. É sensação de noite. É do glamour da solidão, dos vícios, das luzes. Será que alguém sente o que eu sinto sobre isso? Será que alguém vê o que eu vejo?
Cada noite me dá uma idéia. E sou cada uma delas, com seus formatos exagerados e espalhafatosos - as sou. Só naquele momento, talvez, mas sou e elas são verdade. Penso-as e as trabalho. Algumas vezes, transcrevo-as, mas quando chega o final do papel, exatamente na hora do ponto final, quando o sol começa a aparecer e nos estressar, elas não fazem mais sentido, e nem eu entendo o que escrevi.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Invasão de privacidade

N E M C A B E discutir aqui sobre o quão abutres infelizes e sádicos são (ou somos) os jornalistas. Mas domingo pensei até onde deveria ir essa tal liberdade de imprensa. Não confundam com liberdade de expressão. Quando penso em liberdade de expressão, vejo muros pixados de indignação, vejo manifestações, vejo pessoas lutando por algo que lhes seja um ideal. Ainda que tudo isso seja fantasioso, está aí a liberdade de expressão caso queira se tornar real. Liberdade para que aconteça, mesmo que não aconteça.
Enfim. Estou falando da liberdade de imprensa. A liberdade de entrar na minha casa enquanto eu como minha pizza de domingo, com as pessoas de domingo, no friozinho do outono, com a pantufa de três dias, e, de repente, discretamente, estampar na tevê de canto um dos Crimes Mais Cruéis do Mundo. Perdi a fome. Meu coração ficou apertado.
Não é que eu seja egoísta. Mas eu não precisava passar por esse mal estar. Eu não queria passar por isso. Eu não queria saber que alguém seria capaz de ser tão mau. E agora? A filha e os filhos-netos do bandido, como estão?
Eles estão com as caras estampadas nos jornais, nas televisões. Será que algum dia poderiam recuperar o tempo perdido?
Estou indignada, e estou impotente. Assim como todo o resto da população. Que comenta pelos pontos de ônibus. Mas não vai mudar nada. Ninguém pode fazer nada, ninguém nunca pôde, ninguém nunca fez. E se alguém se sentir inspirado com essa história? E se ela se repetir porque alguém tinha potencial de crueldade equivalente, mas simplesmente nunca tinha pensado nisso?
É a mesma coisa com a menininha que foi jogada do prédio. A princípio, todos ficaram chocados. Depois, a notícia vendeu tanto, causou tanta curiosidade que hoje é uma piada! Como assim? Uma brutalidade daquelas foi tão banalizada que hoje virou piada, virou comunidade de orkut.
E a família, que sofreu todos os dias, todas as horas, que nunca via o sol durante 24 anos. Estão esfregando sua cicatriz nas lentes da câmera. Pra comover, pra chocar, pra vender. Olha só como esse mundo é cruel.
Nós, seres humanos, somos mesmo muito patéticos.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Acima do chão

T A L V E Z, tudo poderia ficar exatamente como está. Imóvel, intacto. Bem como o meu estado de euforia. Que vivia de se repetir de algumas frações de segundos subjetivas. Completamente subjetivas. Eram segundos como outros quaisquer se fosse outro olhar qualquer, outro vidro qualquer. Que provavelmente nem quiseram dizer nada, mas meus sentidos quiseram escutar. E por aquilo não ser o que gostaria que fosse mas talvez querer dizer algo que eu gostaria de ter ouvido mas de fato não ouvi, senti um arrepio. E eu conseguia fabricá-lo toda vez que me lembrava da cena. Agora tenho andado acima do chão, cantando com os passarinhos e sorrindo para o sol e a chuva, porque eles não me queimam nem congelam.
Poderia ficar tudo assim, exatamente como está, com um reprodutor de boas sensações que meu corpo produziu sem me consultar, apenas respondendo a um estímulo subliminar.
Sei que não vai ficar assim, mas vou aproveitar enquanto é tempo e vou sorrir para o cobrador do ônibus.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Pequeno tutorial de Como As Coisas São

V E N H O devagar, onde há pessoas com humores refinados e pensamentos quadrados. Todos me cativam, todos me fascinam de algum jeito, absolutamente todos, nem que seja só por um momento. Eu poderia dizer que sou uma completamente apaixonada por pessoas, mas aí eu estaria mentindo. Não sou. De tanto elas me apaixonarem, elas, as pessoas, acabam fazendo com que eu veja demais, que eu saiba demais. E, de quanto em quanto, elas ficam tão iguais, tão repetitivas, tão sem-forma e sem-graça. Acontece que elas me acometem de sensações conflitantes, que me impulsionam e me fazem me sentir viva. Coloco algumas em pedestais. Não posso tocá-las. Lá elas ficam, inatingíveis, irreais, desumanas. Mas perfeitas.
O resto, a grande maioria que fica comigo no chão, é cheia de defeitos. E eu conheço cada um dos defeitos e seus efeitos. Isso às vezes me enlouquece. Esses exemplares da espécie humana parecem tão pequenos, tão vazios. Conheço - e isso eu posso dizer que é fato - todas as intenções. Quando alguém sorri, eu sei o que está pensando. Eu só sei. E, por saber, e saber que são tantas trivialidades, parece que o mundo, com tantas cabeças desproporcionais, não passa de um depósito de almas frias - que não pensam por si só. Elas só reproduzem incansavelmente os mesmos velhos discursos, as mesmas facetas, os mesmos joguinhos de competição, e até os mesmos jeitos de gesticular com os braços e as sobrancelhas.
A pior parte não é essa. A pior parte é que eu só sei, só sinto saber o que sinto que sei porque, no mínimo, eu conheço o sistema e sei como ele funciona. Porque sou parte dele, sou também ele. E, aos olhos dos outros, também devo ser previsível e sem cor. E você provavelmente responderia sim para essa minha pergunta: você também já não sentiu isso antes?

Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes.

A parte boa é que, eu, como ser humano sem graça e sem brilho nos olhos, como parte da multidão, também tenho o direito de errar. E, de vez em quando, a vida me surpreende. Como quando acontecem aqueles turbilhões associados a Platão. Foi de arrepiar e tremer quando me olhou nos olhos e disse: você

domingo, 13 de abril de 2008

Dulcinéia que morreu de facada nas costas

- S A B E quem morreu, Zé? - perguntou, tomando um gole do café.
- Sei não, quem?
- Dulcinéia.

Zé nem perguntou de quê nem nada. Resmungou um "hum" e sentou para comer o queijo. No jornal, tinha uma notinha. Dulcinéia morreu de morte morrida, mas foi de facada nas costas neste dia 09 de junho de 1967.
Dulce era uma estrela, mas, debaixo da terra virou nota de jornal. Dulce tinha tudo pra ser tudo. Cantava bonito, tocava violão e tinha até cabelo liso. Mas levou uma facada daqui, uma facada dali e nunca mais cantou. Todo mundo chegava e, ao invés do tradicional tapinha nas costas, metia-lhe a faca com força e dizia seja bem-vinda. Mas Dulce foi descobrindo, era esperta. Cortou um por um. Arrancou cada faca das costas e riscou da lista de amigos. A lista foi ficando tão grande de nomes cortados, que Dulce parou de listar. Nos últimos dias de sua vida já tinha tanta facada nas costas que nem tinha espaço pra mais. E não falava com ninguém há mais de dois anos porque ficou com tanto medo das pessoas que preferiu ser sozinha. Ela mesma se esfaqueava de vez em quando para lembrar-se de quem era. Mas o violão, ela nunca mais pegou.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Onde toda a beleza do mundo se esconde

"Longe, lá de longe
De onde toda a beleza do mundo se esconde
Cante, para ontem
Uma voz que se espanda e suspenda esse instante"

N O T A - S E que esteve lá longe, no lugar onde toda a beleza do mundo se esconde. Ela caminha flutuando, como se ainda estivesse . Mas não está. Não está porque nós conseguimos vê-la. E é longe. Se estivesse, não conseguiríamos, nem com uma lupa. Entendo que a lembrança ainda a faz flutuar vez ou outra. E até engana, ilude. Sei bem como é isso porque eu também já estive . E já a levei . Foi isso o que aconteceu. Suguei dela toda a beleza e vitalidade e joguei tudo . Para que eu pudesse voltar sempre que eu quisesse. E, , encontrasse essa beleza e vitalidade intacta. Mas não sou assim, tão cruel a ponto de roubar-lhe a alma. Devolvi.
Contudo, alguém teve a mesma idéia que eu. Só que não devolveu. Deixou , e, assim, virou seu deus. Agora, a leva de vez em nunca. E quando ela vai, fica tão feliz que chega a dar dó. Fica feliz e cega, pensando que está lá longe, onde toda a beleza do mundo se esconde. Que se tranca e espera sonhando que seu deus a leve. Sempre impaciente e ansiosa pelo dia em que puder ir de novo, e de novo. Mas fingindo estar calma. Porque o contrário causaria a ira do deus e o castigo seria mais uma eternidade trancada. Pobrezinha.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Pro Porção

- O L Á, pessoal! Muito boa noite! Sejam bem-vindos! - recebeu a Porta. Mas que pessoal, se estava sozinho? Entrou num corredor esquisito que tinha cor de luz fluorescente e alguns quadros tortos pendurados de vez em quando. Tropeçou nas cascas de um ovo que estavam no chão. Nem sabe se caiu quando viu Ana no escritório. Não falava muito com Ana, mas ela estava descabelada e chorava, tinha os olhos vermelhos de tanto que chorava, desesperada. Parece que terminou o namoro, algo assim. Foi desabafar nele - se confortou nos braços, abraçou, socou de leve o ombro, puxou-lhe os cabelos e logo estavam os dois quase seminus no chão, ali mesmo, numa coisa louca tão louca que ele teve que sair para tomar um café. E quando voltou, Ana o estava esperando com a fome e a fúria. Pulou e se abraçou com as próprias pernas indicando um edredon onde pudessem se esconder - e enquanto o edredon voava, a campainha tocou, ou o telefone. Ele saiu correndo de medo - já pensou se fosse o ex? Mas não era nada, uma menina vendendo balinha, pra ela não tinha ninguém. E voltou tarado para os braços de Ana, mas ela fumava na sacada e quando ele chegou perto apanhou feito um cavalo puxando carroça. Seu tarado! - ela falou, e saiu chorando que nem uma louca. Vai entender essas mulheres! Dali então decidiu que não ia mais fazer caminhada no parque, e sim na avenida.

domingo, 16 de março de 2008

Este blog não me sai da cabeça!


O B R I G A D A Lu, do Lexotan, pelo selo "Este blog não me sai da cabeça". É o primeiro que o Insaciedade recebe! Agradeço partindo do pressuposto de que foi um prêmio por algum mérito, embora eu ache que coisas que não saem da cabeça são meio perturbadoras. Não vou passar adiante porque ultimamente nenhum blog tem me ficado na cabeça...

quinta-feira, 6 de março de 2008

Gala

HO J E nós vamos nos encontrar na incidência do asfalto solar, onde as feras se chocam, se constragem, se cospem, se comem. Não era isso que você queria?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O Melhor e o Pior

C O M O P E R D Ã O da licença poética, foda-se. Cansei.
O pior é que não adianta cansar porque isso não vai mudar nada. Cansar não vai fazer com que eu me sinta um pouco menos inferior. Cansar talvez nem me faça desistir, por mais contraditório que isso seja!
Eu não sei como foi que pegaram a minha auto-estima e a jogaram no lixo. Só sei que o fizeram. E eu era tão dependente dela, tanto que eu nem tinha noção, porque, ao tê-la comigo, eu achava que não dependia de nada, muito menos de uma outra dimensão de mim mesma. Agora eu não passo de uma miserável se arrastando e implorando por um pouco de atenção. Tão miserável que não se dá ao luxo de ser medrosa. Miserável, corajosa. Porque não tem mais nada a perder, quando a auto-estima já se foi. E a talvez única saída é aquilo que mais me afunda, que mais me pisa, que mais me acaba.
Se não consigo sair, o jeito é ficar, o jeito é desistir. Qual é o grande problema em ser assim, ser ninguém, afinal?
Pode ter sido aquela carta idiota. Aquela carta que não mereceu receber nem uma merda de um telegrama, nem pra mandar tomar no cu. E por quê, hein? Porque não era o certo? Confesso aqui minha hipocrisia, mas sei que não estive sozinha. Quem é você pra me falar do que é certo?
Não adianta mais fingir, fugir, que eu já sei de tudo. Sei que você seria mais intelectualmente capaz do que isso. De jargões e clichês as ruas estão cheias. É você que sabe onde procura.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Justine e o Fim do Mundo

J U S T I N E pegou o revólver, puxou o gatilho e estourou os miolos. Foram miolos voando para tudo quanto era lugar, enquanto era tempo. Explodiram que nem pipoca mas nem sequer um corvo teve coragem de comer.
Justine foi embora do mundo e ninguém sentiu falta dela. Na verdade, o patrão ficou puto porque ela se foi sem deixar uma substituta. E o namorado ficou indignado porque ele tinha feito uma dívida gigante por causa dela, aquela cadela. O que ele não lembra é que, no último mês, ele não ouviu o que ela tinha pra dizer, e olhou pros lados quando ela queria consertar o "nós dois". Logo ela, ela, que vivia dizendo para ele não cometer nenhuma loucura. Ela que foi a louca. A Louca se foi. E, como Eleanor Rigby, deixou o mundo em silêncio, do mesmo jeito que viveu a curta vida. Sempre em silêncio, de fininho, sutilmente. O pior de tudo é que partir foi o melhor que ela fez, coitada.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Malditas Imprecisões

V I E M A L G U M L U G A R que não me lembro agora uma constatação que me intrigou. Eu não sei se seria realmente uma constatação ou uma mera suposição, mas eu sei que, no meu caso se aplica. Dizia que as mulheres sentem mais satisfação com a lembrança de um momento bom do que no momento em si. Eu sou dessas.
Também acho que o que determina a felicidade na vida de uma pessoa é muito mais o jeito como ela vê as coisas e o que ela pensa do que a soma dos acontecimentos tendo eles sido causados por ela ou não. O grande problema é que é quase impossível controlar os pensamentos!
Penso em tudo isso que eu tenho, que eu conquistei, e consigo ficar um pouco feliz. Pouco porque tudo isso é muito frágil. Qualquer uma dessas coisas pode acabar a qualquer momento. E eu não consigo aproveitá-las o bastante quando penso que sentirei falta se acabarem.
Às vezes eu queria um pouco mais de estabilidade, de sossego, mesmo sabendo que sossego demais enjoa. Mas essa corda bamba tá ficando foda.
E é desgosto o que eu vou sentir se amanhã o telefone não tocar a tempo. Malditas imprecisões!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

A menina que não dizia novidades

C H E G A V A o fim do dia e ela olhou pela janela do carro que não tinha gotas.
- Hoje não choveu.
Ninguém deu atenção, um lá respondeu com sarcasmo e continuaram suando e tomando suas coca-colas. Marcela começou a contar uma fofoca sobre um ator da televisão que não veriam pessoalmente nem em 100 anos, mas tanto fazia parte daquele fim de tarde que deixava Helen enojada. Helen, a menina desinformada. Helen, a menina que não dizia novidades. Fingiu estar concentrada no vidro do carro pra tentar não ouvir a mesma ladainha. Gostava de viver assim, meio no pretérito imperfeito. E, sim, pra ela importava se havia chovido ou não. Porque tinha planos. Iria pela rua 7 ao invés de ir pela 11, como sempre vai, caso chovesse. E, talvez, no caminho da rua 7 comprasse um doce de Pelotas, que não comia desde que papai ficou diabético.
A chuva podia deixá-la resfriada, e ela teria que passar a madrugada "assistindo filme velho na tevê", como diria a moça da propaganda do Doril. Talvez conseguisse escrever um poema ou sentiria uma coragem revolucionária para comprar flores e se entregar.
Mas, talvez por infortúnio, naquele dia não choveu.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Poema Para Períodos Putos

O I
Tudo é uma bosta
Parece uma merda
E eu sou uma ameba

Olá
Hoje o céu está cinza
Parece um ranzinza
Que fica a dizer
Vão todos se foder

Alô
Eu vi um macaco
Com cara de pato
E voz de...
Filho da puta

Adeus
Encerro esse poema
Com mais esse dilema
E agora quem é que vai
te comer, seu merda?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O Si-Mesmo

U M C O N F R O N T O inevitável, esse nosso com o Si-Mesmo. Por que o Si-Mesmo é tão cruel? Primeiro, ele te deixa nua. É violento e impaciente no processo do despir-se. Basta olhar nos olhos do Si-Mesmo, que lá está você, nua. Ele não precisa chegar perto, nem encostar pra perceber que você está desconfortável. E é exatamente essa a intensão dele: te deixar desconfortável. Porque, desse modo, você acaba revelando seus medos. É olhando nos seus olhos que ele arranca a sua roupa e suas farsas. E então você fica, nua e sem máscaras. Sem nada pra esconder. Despida, descoberta, encurralada. O Si-Mesmo some e te deixa. Só você e a sua verdade. E a verdade sobre Si-Mesmo é a pior de todas.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Mememememememememememememememe

N A T H á L I A, Do ShE WaLks On mE,
me mandou um meme sobre momentos que marcaram minha vida. No final, eu deveria repassar para mais gente, mas eu não tenho pra quem mandar afinal ela já mandou para quem eu mandaria!

Melhor momento: Aquelas duas horas no ônibus rumo à Cascavel. Eu não sei se pode-se dizer "melhor momento" porque havia o meu medo, e a preocupação e mágoa causada a algumas pessoas. Mas a sensação de liberdade, e cumprimento de uma vontade que eu achei que jamais realizaria, foi a melhor que eu já tive.

Pior momento: O estopim para o momento anteriormente citado. Foi no meio da rua, era o beijo, e depois a voz, e ficar sem saída, encurralada. E aquelas palavras, aqueles gritos... Não gosto de lembrar.

Arrependimento: Não ter tirado nenhuma foto com os meus pais e minha irmã na minha formatura da 8ª série.

Algo que aprendi: E que ainda estou aprendendo é a ser mais paciente.

Algo que pretendo esquecer: Eu valorizo a minha história, e não pretendo esquecer nada que faça parte dela. Existem algumas coisas que eu não gosto de lembrar, mas que, com o passar do tempo, vão se tornando insignificantes perto do que eu construí, e do que eu sou.

Filme que adorei assistir: Imagine Eu e Você, Cazuza, Moulin Rouge (Eu sei que era pra escolher só um, mas não me agüentei...)

Promessa para esse ano: Parar de comer tanta porcaria...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Sobre o Fim e o Começo

aLGuMAs coisAs Que sÃo Do pAssADo, FicaM No passado, mas a maioria vira memória. Eu, se pudesse escolher, gostaria de ser memória. Quando eu não mais estiver habitando esse chão, ou esse espaço terreno, ou quando eu tiver sumido de sua vida, por favor, me deixe virar memória.
Mas, bem como o passado e o futuro, as mudanças são inapalpáveis, porém mais firmes que um pedaço de pau. E, talvez por isso, se fazem tão necessárias às nossas vidas. Mudar de nome e de endereço é uma mudança pequena, mas que nesse presente que já é passado se fez precisa.
O Paranóia Delirante faria dois anos de existência no mês que vem. Mas em algum momento entre o último post (que ainda não sabia que seria o último) e hoje, ele não fez mais sentido. Continuarei paranóica, e continuarei pathetic, delirando entre os pães de forma, mas o Paranóia Delirante perdeu o sentido. E nós, seres humanos, vivemos tentando entender o sentido das coisas, mas algumas simplesmente não têm.
O Paranóia teve, mas acabou. Durante esses quase dois anos, fui fiel à paranóia delirante, que era aquela vontade, aquela idéia fixa que me povoava a mente a ponto de me fazer delirar e sempre achar coisas que talvez não fossem.
Entre o 10 de março de 2006 e hoje, essas vontades nunca cessaram. Mas mudaram de forma, algumas várias vezes. E é aí que entra a Insaciedade.