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quarta-feira, 23 de julho de 2008

Caminhos Cruzados

V O U U T I L I Z A R as palavras de outra pessoa porque nesse momento eu estou meio que feliz demais e assim me fogem as minhas. Não porque a felicidade não seja um sentimento digno de ser escrito. Aliás, só estou aqui escrevendo porque a felicidade merece que não sejam apenas palavras alheias. É que, junto com essa alegria, estou também ansiosa, eufórica e impaciente, e, isso sim, faz com que as idéias só fiquem na minha mente e eu não consiga parar e me concentrar o suficiente para deixá-las bonitas e verdadeiras. Portanto, vou utilizar de João Bosco porque ele, aqui, está falando por mim.



Quando um coração que está cansado de sofrer
Encontra um coração também cansado de sofrer
É tempo de se pensar
Que o amor pode, de repente, chegar
Quando existe alguém, que tem saudade de alguém
E esse outro alguém não entender
Deixe esse novo amor chegar
Mesmo que depois
Seja imprescindível chorar
Que tolo fui eu
Que, em vão, tentei raciocinar
Nas coisas do amor
Que ninguém pode explicar
Vem, nós dois vamos tentar
Só um novo amor pode a saudade apagar

Deixa esse novo amor ...



(...) Pois minha dúvida se esvaiu! Agora sei que eu acredito em destino! Não foi em vão que abri aquela porta bem naquele momento, e isso faz com que minha medíocre vida, enfim, tenha algum sentido. Que mesmo quando pareça inútil, no final vai ser explicado.

Now you are inside my head.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Invasão de privacidade

N E M C A B E discutir aqui sobre o quão abutres infelizes e sádicos são (ou somos) os jornalistas. Mas domingo pensei até onde deveria ir essa tal liberdade de imprensa. Não confundam com liberdade de expressão. Quando penso em liberdade de expressão, vejo muros pixados de indignação, vejo manifestações, vejo pessoas lutando por algo que lhes seja um ideal. Ainda que tudo isso seja fantasioso, está aí a liberdade de expressão caso queira se tornar real. Liberdade para que aconteça, mesmo que não aconteça.
Enfim. Estou falando da liberdade de imprensa. A liberdade de entrar na minha casa enquanto eu como minha pizza de domingo, com as pessoas de domingo, no friozinho do outono, com a pantufa de três dias, e, de repente, discretamente, estampar na tevê de canto um dos Crimes Mais Cruéis do Mundo. Perdi a fome. Meu coração ficou apertado.
Não é que eu seja egoísta. Mas eu não precisava passar por esse mal estar. Eu não queria passar por isso. Eu não queria saber que alguém seria capaz de ser tão mau. E agora? A filha e os filhos-netos do bandido, como estão?
Eles estão com as caras estampadas nos jornais, nas televisões. Será que algum dia poderiam recuperar o tempo perdido?
Estou indignada, e estou impotente. Assim como todo o resto da população. Que comenta pelos pontos de ônibus. Mas não vai mudar nada. Ninguém pode fazer nada, ninguém nunca pôde, ninguém nunca fez. E se alguém se sentir inspirado com essa história? E se ela se repetir porque alguém tinha potencial de crueldade equivalente, mas simplesmente nunca tinha pensado nisso?
É a mesma coisa com a menininha que foi jogada do prédio. A princípio, todos ficaram chocados. Depois, a notícia vendeu tanto, causou tanta curiosidade que hoje é uma piada! Como assim? Uma brutalidade daquelas foi tão banalizada que hoje virou piada, virou comunidade de orkut.
E a família, que sofreu todos os dias, todas as horas, que nunca via o sol durante 24 anos. Estão esfregando sua cicatriz nas lentes da câmera. Pra comover, pra chocar, pra vender. Olha só como esse mundo é cruel.
Nós, seres humanos, somos mesmo muito patéticos.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Acima do chão

T A L V E Z, tudo poderia ficar exatamente como está. Imóvel, intacto. Bem como o meu estado de euforia. Que vivia de se repetir de algumas frações de segundos subjetivas. Completamente subjetivas. Eram segundos como outros quaisquer se fosse outro olhar qualquer, outro vidro qualquer. Que provavelmente nem quiseram dizer nada, mas meus sentidos quiseram escutar. E por aquilo não ser o que gostaria que fosse mas talvez querer dizer algo que eu gostaria de ter ouvido mas de fato não ouvi, senti um arrepio. E eu conseguia fabricá-lo toda vez que me lembrava da cena. Agora tenho andado acima do chão, cantando com os passarinhos e sorrindo para o sol e a chuva, porque eles não me queimam nem congelam.
Poderia ficar tudo assim, exatamente como está, com um reprodutor de boas sensações que meu corpo produziu sem me consultar, apenas respondendo a um estímulo subliminar.
Sei que não vai ficar assim, mas vou aproveitar enquanto é tempo e vou sorrir para o cobrador do ônibus.