segunda-feira, 27 de outubro de 2008

6:25

O R E L Ó G I O fez um barulhinho quando ele apertou para ver as horas. Pense na luz azul-pequeno e os números fora de foco (era noite, e era tarde). Sabe essa época de relógios digitais com pulseira de borracha? Ah, o cheiro de borracha dos tênis novos, da bolinha e da raquete!
Pensei que jamais viveria sem o Paulinho.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Solidão

E X I S T E S E N S A Ç Ã O mais auto-predatória que a de descobrir que, ao olhar em volta, só restou você, você, você, e mais nada?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Isso ou As coisas que não dão certo

N O C O M E ÇO, a gente ignora, vai empurrando com a barriga, se faz de cego, de surdo, de burro. Sempre esperando que isso passe e se resolva sozinho. Mas isso não acontece, né? Então, chega uma hora que algo precisa acontecer. Talvez a gente ganhe intimidade pra reclamar e dizer eu não gosto disso disso e disso, e ouvir também os eu não gosto disso disso e disso. Um abraço e um alívio - acho que agora as coisas vão caminhar para nós.
Alguns cumprem com a promessa e evitam o isso isso e isso. Mas, sem perceber, depois de um tempo, começa tudo outra vez (ou são novos os issos issos e issos). Ou nem se preocupam em tentar mudar, continua tudo igual. E os inhos vão ficando ões, os issinhos vão ficando issões, e quando a gente vê tá gritando, surtando no meio da rua, e quebrando tudo.
Uma crise. O castelinho de sonhos desmoronou e você foi o culpado (Culpado!), como pôde? Não, o culpado foi você com todos os seus pontos nos is. Antes ficasse quieto.
Mas não, não conseguem ficar longe um do outro, e acabam se procurando por aí. Vamos mudar. Vamos começar do zero.
E lá vão eles, tudo outra vez.
Detesto ser humano e tão previsível!

Mas é que a tua ausência é o que me dói no calcanhar.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Se amanhã não for nada disso

C A B E RÁ só a mim esquecer.

Me dá um beijo, então. Aperta a minha mão. Tolice é viver a vida assim, sem aventura.
Deixa ser pelo coração. Se é loucura, então melhor não ter razão.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O Cara da Gaita

H O J E o meu dia começou diferente. Não porque eu escovei os dentes antes de tomar banho. Nem pela discussão de ontem que eu perdi.
Enquanto esperava o ônibus, um lindo casal de velhinhos passava na rua. De mãos dadas e com tênis de caminhada. Ele, com o cabelo mais branco que a camiseta. Ela, de cabelo curtinho e bem vermelho. Passeando, que nem dois namorados, coisa mais linda.
Sentei-me num dos primeiros bancos do ônibus, lá na frente, next to the roleta, do lado da janela, e fiquei olhando a cidade passar até que eu chegasse ao meu destino. Olhando, assim, sem ver, como sempre. As mesmas ruas, e o mesmo etc. Até que me levanto quando nos aproximamos do ponto onde tenho que descer. E, na jornada entre meu banco e a porta (lá atrás), ouço uma musiquinha. Não dou muita bola até ver de onde vem o som.
Um senhor com cara de doidinho, os olhos vidrados, tocando gaita. Dentro do ônibus. As pessoas estavam meio apreensivas (o que será que ele vai fazer depois?), mas eu fiquei com vontade de dar uma dançadinha, apontando pra ele, e dizendo: é isso aí, cara! Valeu!
Não só dar uma dançadinha ali no ônibus. Deu vontade de nem descer, de ficar ali, de ir com ele pra festinha onde ele ia tocar em plena quinta-feira de manhã.
Mas é isso que nos separa. Ele quis tocar, e tocou. Eu quis dançar, mas fingi que nem vi, como, acredito, o fariam (e o fizeram) a maioria das pessoas. Fingi que ele nem deu uma corzinha a mais no meu dia. E, com uma trilha sonora à melhor cena alegre de filme brasileiro, desci do ônibus me sentindo o próprio Matheus Nachtergaele.
É isso aí, cara! Valeu!