T A L V E Z, tudo poderia ficar exatamente como está. Imóvel, intacto. Bem como o meu estado de euforia. Que vivia de se repetir de algumas frações de segundos subjetivas. Completamente subjetivas. Eram segundos como outros quaisquer se fosse outro olhar qualquer, outro vidro qualquer. Que provavelmente nem quiseram dizer nada, mas meus sentidos quiseram escutar. E por aquilo não ser o que gostaria que fosse mas talvez querer dizer algo que eu gostaria de ter ouvido mas de fato não ouvi, senti um arrepio. E eu conseguia fabricá-lo toda vez que me lembrava da cena. Agora tenho andado acima do chão, cantando com os passarinhos e sorrindo para o sol e a chuva, porque eles não me queimam nem congelam.
Poderia ficar tudo assim, exatamente como está, com um reprodutor de boas sensações que meu corpo produziu sem me consultar, apenas respondendo a um estímulo subliminar.
Sei que não vai ficar assim, mas vou aproveitar enquanto é tempo e vou sorrir para o cobrador do ônibus.
Poderia ficar tudo assim, exatamente como está, com um reprodutor de boas sensações que meu corpo produziu sem me consultar, apenas respondendo a um estímulo subliminar.
Sei que não vai ficar assim, mas vou aproveitar enquanto é tempo e vou sorrir para o cobrador do ônibus.