terça-feira, 3 de março de 2009

E, então, o nosso mundo girou

Olharam-se ao mesmo tempo ao perceber que falavam do mesmo assunto. As mesmas reclamações. Falta de atenção. Pega demais no pé. E a liberdade? Nunca me acompanha. Não se interessa, sabe? Antes se dedicava mais. Parecia me amar tanto! Ah, o amor! -, suspiraram, tomando mais um gole de cerveja. O movimento repetido fez-se olharem as mãos, e depois os olhos, que, até então, eram meros enfeites de ouvido. Sentiram o momento mágico, mas logo desviaram. Não estamos aqui para isso.
Para o dono do bar, era mais uma cena de toda noite. Eles não. Desejavam que fosse apenas a primeira de muitas. Estou gostando tanto dessa conversa, disse, tocando-lhe o ombro de leve, para não transparecer as segundas intenções. Tanto cuidado para convencer o toque a ser banal foi percebido, e um sorrisinho foi inevitável. Tentou não corresponder ao sorriso, mas, já correspondendo, resolveu mudar de assunto.
Não gosto de futebol, mas simpatizo. Esse time é bom mesmo. Música clássica? Não ouço muito, mas até que é legal. Tenho meias iguais às suas! Um filmaço, realmente. Quero ver o que vai estrear semana que vem, podíamos ir. Que perfume é esse que você está usando? Muito bom gosto!
Logo transformaram as banalidades em afinidades, ignoraram as diferenças básicas, e se convenceram de que o fato de ambos terem o celular da mesma operadora só podia ser um sinal do destino. Choraram as dores dos amores passados e contaram superficialidades da infância. Eu largaria tudo por você. Eu faria isso agora! Tinham certeza que haviam vivido até ali, caminhando os mesmos passos, só para aquele encontro do acaso.
- Incrível! - soltou, sorrindo e já não mais disfarçando as intenções. Disse antes de dar o último trago de cigarro, que sujou a mesa por ter esquecido de bater as cinzas - a conversa fluía tanto que esquecera de fumar.
Beijou-a sem lembrar que odiava o gosto e o cheiro do cigarro. Entregou-se sem pensar que odiava ser interrompida enquanto falava. Amaram-se loucamente. Despediram-se prometendo sentir saudades e não demorar para um próximo encontro.
Acordaram. Dor de cabeça e poucas lembranças. Despertador chamando de volta à realidade. Que loucura! Falei demais! Para alívio de ambos, o telefone não tocou.

domingo, 1 de março de 2009

Com a língua,

ela coloca uma pílula na sua boca, dizendo que vai te levar para um lugar secreto. Você está andando. Meia hora antes, você olhou pro céu e ele parecia tão... blues!
Luzes coloridas, sentimento perfeito em sua mente! Você está tão livre! Velocidade correndo na estrada para as consciências limpas.
Quando tudo faz sentido, talvez eu minta, você não se importa porque... por quê? Por quê? Por quê?
Não há razão por quê, baby. Não há razão.