sábado, 27 de dezembro de 2008

As Palavras Que Você Não Vai Ler

A dor é o princípio de todo sentimento verdadeiro. Exemplificar é desnecessário, e eu sempre o faço. Mas, desta vez, vou poupar-lhes. Sinto apenas uma necessidade de dizer, sem significado, relevância ou objetivo. Apenas para soltar, desprender, deixar...
Deve ser apenas o princípio, e não o fundamento, e não a base. O bom é que a dor sempre vai embora - mesmo que temporariamente. E aí se prova: se tal sentimento é verdadeiro, permanece e existe independente dela. Se não, pode ir embora junto.
O que dói é não saber até onde vale a pena, qual é a profundidade do lago, até onde posso nadar sem me afogar. O fato é que quando a água está boa, a gente nada, nada, nada e esquece. Lá vou eu e minhas metáforas infames. A certa altura, volto à mim e me pergunto se devo ou não prosseguir. Não sei até onde a água bate.
Quando eu voltar à beira, as gotinhas vão escorrer do meu corpo e cair no chão, e, mesmo que demore e até lá eu sinta frio, cedo ou tarde estarei totalmente seca.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Paradoxo

Hoje minha incerteza quase vira decisão. Que, por ter sido por razoável tempo incerteza, digo quase. Porque pode voltar a ser incerteza, você sabe. Mas não entenda como um ato desesperado de quem pede pra ficar. Hoje não vou mais pedir nada. Hoje é meu paradoxo. Hoje é minha solidão.
Não é estranho nos sentirmos assim, quando tudo supostamente ia bem? Já cheguei a pensar que o efeito é parecido com o das drogas. Num dia, a alegria e excitação. No outro, a depressão. Porque a euforia "gasta" as endorfinas do cérebro, e como são muitas, todas ao mesmo tempo, acaba não sobrando pro dia seguinte. E aí, a depressão.
É, poderia ser assim. Como num dos milhares de filmes que assisti nas últimas quarenta e oito horas. Dizia "sem o amargo, o doce nunca é tão doce". Mas já provei do amargo e do doce, e apesar de não em tão variadas formas, eu posso dizer que os conheço. Pelo menos o bastante pra saber que todo esse amargo de hoje não é conseqüência do doce de ontem. Não foi tanto assim, não está proporcional.
E não vem ao caso discutirmos a proporcionalidade ou o equilíbrio ou a equivalência de ambos, se um é mais pesado que o outro e por isso vem em quantidades diferentes - não vem ao caso. A questão é o paradoxo.
Sinto-me numa chuva de canivetes onde não posso usar um guarda-chuva apropriado para me defender. Isso porque havia uma linha em nosso contrato que dizia que o risco de chover era muito improvável. Vim sem guarda-chuva e sem escudo.
Mas choveu. Confesso que arrumei um jeitinho de me defender, e no fim do dia, saí quase ilesa da chuva. Alguns arranhões e coisa e tal, mas, viva.
Confesso que depois da tempestade, pude ver o céu, e ele estava lindo. Ela serviu para que eu visse o céu que sempre esteve ali, mas nunca tão azul - ou talvez há tempos eu não olhava para ele. Bom é acabar esse post de modo otimista. Nada como boas e velhas conversas que nos fazem lembrar quem somos. Não vai ser um canivetinho qualquer pra me deter.