"Longe, lá de longe
De onde toda a beleza do mundo se esconde
Cante, para ontem
Uma voz que se espanda e suspenda esse instante"
N O T A - S E que esteve lá longe, no lugar onde toda a beleza do mundo se esconde. Ela caminha flutuando, como se ainda estivesse lá. Mas não está. Não está porque nós conseguimos vê-la. E lá é longe. Se lá estivesse, não conseguiríamos, nem com uma lupa. Entendo que a lembrança ainda a faz flutuar vez ou outra. E até engana, ilude. Sei bem como é isso porque eu também já estive lá. E já a levei lá. Foi isso o que aconteceu. Suguei dela toda a beleza e vitalidade e joguei tudo lá. Para que eu pudesse voltar sempre que eu quisesse. E, lá, encontrasse essa beleza e vitalidade intacta. Mas não sou assim, tão cruel a ponto de roubar-lhe a alma. Devolvi.
Contudo, alguém teve a mesma idéia que eu. Só que não devolveu. Deixou lá, e, assim, virou seu deus. Agora, a leva lá de vez em nunca. E quando ela vai, fica tão feliz que chega a dar dó. Fica feliz e cega, pensando que está lá longe, onde toda a beleza do mundo se esconde. Que se tranca e espera sonhando que seu deus a leve. Sempre impaciente e ansiosa pelo dia em que puder ir lá de novo, e de novo. Mas fingindo estar calma. Porque o contrário causaria a ira do deus e o castigo seria mais uma eternidade trancada. Pobrezinha.
2 comentários:
e foi-se, sem eira nem beira...?
o que é o pecado... qual o endereço de la?
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