- S A B E quem morreu, Zé? - perguntou, tomando um gole do café.
- Sei não, quem?
- Dulcinéia.
Zé nem perguntou de quê nem nada. Resmungou um "hum" e sentou para comer o queijo. No jornal, tinha uma notinha. Dulcinéia morreu de morte morrida, mas foi de facada nas costas neste dia 09 de junho de 1967.
Dulce era uma estrela, mas, debaixo da terra virou nota de jornal. Dulce tinha tudo pra ser tudo. Cantava bonito, tocava violão e tinha até cabelo liso. Mas levou uma facada daqui, uma facada dali e nunca mais cantou. Todo mundo chegava e, ao invés do tradicional tapinha nas costas, metia-lhe a faca com força e dizia seja bem-vinda. Mas Dulce foi descobrindo, era esperta. Cortou um por um. Arrancou cada faca das costas e riscou da lista de amigos. A lista foi ficando tão grande de nomes cortados, que Dulce parou de listar. Nos últimos dias de sua vida já tinha tanta facada nas costas que nem tinha espaço pra mais. E não falava com ninguém há mais de dois anos porque ficou com tanto medo das pessoas que preferiu ser sozinha. Ela mesma se esfaqueava de vez em quando para lembrar-se de quem era. Mas o violão, ela nunca mais pegou.
- Sei não, quem?
- Dulcinéia.
Zé nem perguntou de quê nem nada. Resmungou um "hum" e sentou para comer o queijo. No jornal, tinha uma notinha. Dulcinéia morreu de morte morrida, mas foi de facada nas costas neste dia 09 de junho de 1967.
Dulce era uma estrela, mas, debaixo da terra virou nota de jornal. Dulce tinha tudo pra ser tudo. Cantava bonito, tocava violão e tinha até cabelo liso. Mas levou uma facada daqui, uma facada dali e nunca mais cantou. Todo mundo chegava e, ao invés do tradicional tapinha nas costas, metia-lhe a faca com força e dizia seja bem-vinda. Mas Dulce foi descobrindo, era esperta. Cortou um por um. Arrancou cada faca das costas e riscou da lista de amigos. A lista foi ficando tão grande de nomes cortados, que Dulce parou de listar. Nos últimos dias de sua vida já tinha tanta facada nas costas que nem tinha espaço pra mais. E não falava com ninguém há mais de dois anos porque ficou com tanto medo das pessoas que preferiu ser sozinha. Ela mesma se esfaqueava de vez em quando para lembrar-se de quem era. Mas o violão, ela nunca mais pegou.
3 comentários:
talvez seja melhor ela se esquecer de quem era.
Diz pra ela não esquecer o violão. Ele, certamente nunca irá dar facada nas costas de Dulcinéia...
dulcinéia era pessoa comum, então?
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