V E N H O devagar, onde há pessoas com humores refinados e pensamentos quadrados. Todos me cativam, todos me fascinam de algum jeito, absolutamente todos, nem que seja só por um momento. Eu poderia dizer que sou uma completamente apaixonada por pessoas, mas aí eu estaria mentindo. Não sou. De tanto elas me apaixonarem, elas, as pessoas, acabam fazendo com que eu veja demais, que eu saiba demais. E, de quanto em quanto, elas ficam tão iguais, tão repetitivas, tão sem-forma e sem-graça. Acontece que elas me acometem de sensações conflitantes, que me impulsionam e me fazem me sentir viva. Coloco algumas em pedestais. Não posso tocá-las. Lá elas ficam, inatingíveis, irreais, desumanas. Mas perfeitas.
O resto, a grande maioria que fica comigo no chão, é cheia de defeitos. E eu conheço cada um dos defeitos e seus efeitos. Isso às vezes me enlouquece. Esses exemplares da espécie humana parecem tão pequenos, tão vazios. Conheço - e isso eu posso dizer que é fato - todas as intenções. Quando alguém sorri, eu sei o que está pensando. Eu só sei. E, por saber, e saber que são tantas trivialidades, parece que o mundo, com tantas cabeças desproporcionais, não passa de um depósito de almas frias - que não pensam por si só. Elas só reproduzem incansavelmente os mesmos velhos discursos, as mesmas facetas, os mesmos joguinhos de competição, e até os mesmos jeitos de gesticular com os braços e as sobrancelhas.
A pior parte não é essa. A pior parte é que eu só sei, só sinto saber o que sinto que sei porque, no mínimo, eu conheço o sistema e sei como ele funciona. Porque sou parte dele, sou também ele. E, aos olhos dos outros, também devo ser previsível e sem cor. E você provavelmente responderia sim para essa minha pergunta: você também já não sentiu isso antes?
Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes.
A parte boa é que, eu, como ser humano sem graça e sem brilho nos olhos, como parte da multidão, também tenho o direito de errar. E, de vez em quando, a vida me surpreende. Como quando acontecem aqueles turbilhões associados a Platão. Foi de arrepiar e tremer quando me olhou nos olhos e disse: você
O resto, a grande maioria que fica comigo no chão, é cheia de defeitos. E eu conheço cada um dos defeitos e seus efeitos. Isso às vezes me enlouquece. Esses exemplares da espécie humana parecem tão pequenos, tão vazios. Conheço - e isso eu posso dizer que é fato - todas as intenções. Quando alguém sorri, eu sei o que está pensando. Eu só sei. E, por saber, e saber que são tantas trivialidades, parece que o mundo, com tantas cabeças desproporcionais, não passa de um depósito de almas frias - que não pensam por si só. Elas só reproduzem incansavelmente os mesmos velhos discursos, as mesmas facetas, os mesmos joguinhos de competição, e até os mesmos jeitos de gesticular com os braços e as sobrancelhas.
A pior parte não é essa. A pior parte é que eu só sei, só sinto saber o que sinto que sei porque, no mínimo, eu conheço o sistema e sei como ele funciona. Porque sou parte dele, sou também ele. E, aos olhos dos outros, também devo ser previsível e sem cor. E você provavelmente responderia sim para essa minha pergunta: você também já não sentiu isso antes?
Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes.
A parte boa é que, eu, como ser humano sem graça e sem brilho nos olhos, como parte da multidão, também tenho o direito de errar. E, de vez em quando, a vida me surpreende. Como quando acontecem aqueles turbilhões associados a Platão. Foi de arrepiar e tremer quando me olhou nos olhos e disse: você
5 comentários:
legal seu blog
http://ehtudoloco.blogspot.com/
otimo texto...
muito bom mesmo...
otimo blog....
estarei sempre aqui...
bjkss
www.daniilopes.blogspot.com
ao mesmo tempo somos iguais, mas alguma coisa sempre nos destaca, e é isso que faz alguém dizer "você"
gostei.
obrigada pelo comentario em meu blog....
espero sua visita sempre....
boa semana..bjksss
www.daniilopes.blogspot.com
as pessoas perfeitas, intangíveis e desumanas me assustam, mas, mesmo assim, realmene, continuo a admirá-las...
ps:. Lisiê filosofando nessa porra!
Postar um comentário