
F O I C O M a garganta navalhada de mágoas que, pela primeira vez, me virou as costas e saiu. Fiquei onde estava, acho que permaneci de queixo caído por alguns segundos. Não por estar surpreendida. Aliás, eu já esperava isso há algum tempo. E foram as mesmas cenas, só que com outro personagem. Fiquei onde estava. Ainda estou onde fiquei. Boquiaberta.
Chegou então, o Ponto Culminante. Aquele sobre o qual tanto tentei te alertar. Isso está ficando perigoso, eu disse, e você riu, me provocando. Perigo! Agora não posso pensar em você.
Estou sentada, então, no ponto culminante. Exatamente do jeito e no local onde você me deixou. Comecei a fazer essas anotações sem saber bem onde ia chegar. Apenas para dizer que o ponto culminante não me cutuca pois estou boquiaberta e inatingível. E pra dizer que esse é o momento de uma decisão drástica.
Sempre fui de fazer dramas, e com você não poderia ser diferente. Eu sabia que não ia ficar tudo assim tão bem como era. E é engraçado eu nunca ter feito anotações sobre as maravilhas e bons momentos assim, tão didaticamente, e tão factual.
Faz algumas horas e eu não sei se vou ou se fico. Não devia ter brincado, não devia mesmo. Estou arrependida - e isso é tudo o que eu não devia estar. Eu deveria estar em outra, passeando de carro com os cabelos ao vento, indo para uma Aventura Qualquer, vendo Sessão da Tarde ou vomitando no banheiro do bar.
Ahhh, tão bom-demais-pra-ser-verdade, que eu fiz questão de deixar ruim, só pra não fugir à regra! Gosto da nossa coisa sem regras, e gosto mais do que deveria gostar. E eu falei pra você que era tão idiota ficar se policiando! Gosto e não entendo toda a sua paciência e disposição!
Céus, me vacinem! Estou apegada. E, estranhamente, com um nó na garganta desde a noite passada. (e agora, ou o Ponto Culmina para o Fim, ou para a parte II)
outro grande erro da minha matemática: ouvir músicas de amor.
Eu quero a diferença que me faz te olhar de frente.
Deixa eu te levar. Não há razão e nem motivo pra explicar que eu te completo e que você vai me bastar.
(Tolerância, Ana Carolina)
3 comentários:
ficar se policiando para sentir mais ou menos, é sempre o pior erro. nós não somos tão auto-suficientes assim. eu sei que voce já sabe que falar é facil, fazer é dificil, mas nós devemos impor nossos limites. voce sabe.
e que venha a parte II ! com os problemas resolvidos.
"Sempre fui de fazer dramas, e com você não poderia ser diferente. "
até parece a lisiê falando...
mas que venha a parte II
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