quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Acima da Carne

Hoje você já me tirou o sono. Mais uma vez. Vou dormir lá pelas tantas, e, quando acordar, não vou conseguir me mover. Mais uma vez. Não pelo sono acumulado, pelas poucas horas (que, como serão bem dormidas, de certo vão compensar mais que muitas mau, só que deixa essa conta pra lá), ou pelo despertador irritante.
Ao abrir minhas pálpebras pesadas e inconformadas (como sempre acontece quando são perturbadas antes do tempo) e tomar consciência de mim, do hoje e do agora, não vou conseguir me mover. Isso porque estarei exatamente como estou agora: mirando essas quatro paredes com as quais me deparo em quase todos os abrires de pálpebras já há alguns anos.
Todo esse tempo, e continuam as mesmas amarelo-esbranquiçadas paredes. Desculpem-me, paredes, se as constranjo com tamanha cara-de-pau, mas não é a vocês que eu vejo.
A vejo nas paredes, no chão, no chuveiro, naquilo que se repete e naquilo que se modifica. Principalmente nas músicas, nos sorrisos e nas paisagens. Se tal ausência, ainda pouca, já me causa isso, que ainda resta pra falar, imagine se a ausência tal se estender por mais dias e menos acessos!
Estou, então, imóvel, estagnada, imaginando, construindo, relembrando, e quando vejo, a hora passou. E, como uma adolescente irresponsável (que sou), disparo à próxima etapa. Onde vou me perder mais uma vez porque é certo que você vai estar e vai aparecer, talvez em mais uma dessas paredes geladas.
Atraso na segunda, dia um.
É que vim da lua, meu caro. Vim das nuvens. E é longe de lá àqui.
Essa semana, especialmente. Semana um. :)

4 comentários:

insens disse...

Bom saber que é lunar...Brilha no escuro...E escreve mt bem

N. disse...

Quanta saudade!

Helena disse...

adoro seus textos,sempre me indentifico muito com eles! parabéns! Beijos =**

Nathalia R. disse...

Sentimentos de outro planeta x)