C H E G A V A o fim do dia e ela olhou pela janela do carro que não tinha gotas.
- Hoje não choveu.
Ninguém deu atenção, um lá respondeu com sarcasmo e continuaram suando e tomando suas coca-colas. Marcela começou a contar uma fofoca sobre um ator da televisão que não veriam pessoalmente nem em 100 anos, mas tanto fazia parte daquele fim de tarde que deixava Helen enojada. Helen, a menina desinformada. Helen, a menina que não dizia novidades. Fingiu estar concentrada no vidro do carro pra tentar não ouvir a mesma ladainha. Gostava de viver assim, meio no pretérito imperfeito. E, sim, pra ela importava se havia chovido ou não. Porque tinha planos. Iria pela rua 7 ao invés de ir pela 11, como sempre vai, caso chovesse. E, talvez, no caminho da rua 7 comprasse um doce de Pelotas, que não comia desde que papai ficou diabético.
A chuva podia deixá-la resfriada, e ela teria que passar a madrugada "assistindo filme velho na tevê", como diria a moça da propaganda do Doril. Talvez conseguisse escrever um poema ou sentiria uma coragem revolucionária para comprar flores e se entregar.
Mas, talvez por infortúnio, naquele dia não choveu.
- Hoje não choveu.
Ninguém deu atenção, um lá respondeu com sarcasmo e continuaram suando e tomando suas coca-colas. Marcela começou a contar uma fofoca sobre um ator da televisão que não veriam pessoalmente nem em 100 anos, mas tanto fazia parte daquele fim de tarde que deixava Helen enojada. Helen, a menina desinformada. Helen, a menina que não dizia novidades. Fingiu estar concentrada no vidro do carro pra tentar não ouvir a mesma ladainha. Gostava de viver assim, meio no pretérito imperfeito. E, sim, pra ela importava se havia chovido ou não. Porque tinha planos. Iria pela rua 7 ao invés de ir pela 11, como sempre vai, caso chovesse. E, talvez, no caminho da rua 7 comprasse um doce de Pelotas, que não comia desde que papai ficou diabético.
A chuva podia deixá-la resfriada, e ela teria que passar a madrugada "assistindo filme velho na tevê", como diria a moça da propaganda do Doril. Talvez conseguisse escrever um poema ou sentiria uma coragem revolucionária para comprar flores e se entregar.
Mas, talvez por infortúnio, naquele dia não choveu.
3 comentários:
Eu prefereria a companhia da menina sem novidades.
Se as coisas acontecessem...se chovesse, se caminhasse, se comesse, se não escutasse, se dormisse, ela seria uma menina mais feliz? Ela não vai saber mesmo, nada disso aconteceu.
gostei da menina sem novidades!
as vezes falar o obvio é não ser bem entendido!
Postar um comentário