terça-feira, 9 de setembro de 2008

O Ponto Culiminante (pt. I)


F O I C O M a garganta navalhada de mágoas que, pela primeira vez, me virou as costas e saiu. Fiquei onde estava, acho que permaneci de queixo caído por alguns segundos. Não por estar surpreendida. Aliás, eu já esperava isso há algum tempo. E foram as mesmas cenas, só que com outro personagem. Fiquei onde estava. Ainda estou onde fiquei. Boquiaberta.
Chegou então, o Ponto Culminante. Aquele sobre o qual tanto tentei te alertar. Isso está ficando perigoso, eu disse, e você riu, me provocando. Perigo! Agora não posso pensar em você.
Estou sentada, então, no ponto culminante. Exatamente do jeito e no local onde você me deixou. Comecei a fazer essas anotações sem saber bem onde ia chegar. Apenas para dizer que o ponto culminante não me cutuca pois estou boquiaberta e inatingível. E pra dizer que esse é o momento de uma decisão drástica.
Sempre fui de fazer dramas, e com você não poderia ser diferente. Eu sabia que não ia ficar tudo assim tão bem como era. E é engraçado eu nunca ter feito anotações sobre as maravilhas e bons momentos assim, tão didaticamente, e tão factual.
Faz algumas horas e eu não sei se vou ou se fico. Não devia ter brincado, não devia mesmo. Estou arrependida - e isso é tudo o que eu não devia estar. Eu deveria estar em outra, passeando de carro com os cabelos ao vento, indo para uma Aventura Qualquer, vendo Sessão da Tarde ou vomitando no banheiro do bar.
Ahhh, tão bom-demais-pra-ser-verdade, que eu fiz questão de deixar ruim, só pra não fugir à regra! Gosto da nossa coisa sem regras, e gosto mais do que deveria gostar. E eu falei pra você que era tão idiota ficar se policiando! Gosto e não entendo toda a sua paciência e disposição!
Céus, me vacinem! Estou apegada. E, estranhamente, com um nó na garganta desde a noite passada. (e agora, ou o Ponto Culmina para o Fim, ou para a parte II)

outro grande erro da minha matemática: ouvir músicas de amor.

Eu quero a diferença que me faz te olhar de frente.
Deixa eu te levar. Não há razão e nem motivo pra explicar que eu te completo e que você vai me bastar.
(Tolerância, Ana Carolina)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Um Post Babaca

C O M O J Á diz o título, e, pra ser ainda mais babaca, vou usar da redundância (mais uma vez, pois já a usei) e avisá-los (o que já foi avisado): hoje vou fazer um post babaca.
Babaca. Idiota.
Substantivos assim, comuns de dois gêneros. Servem para ele, o post. E para mim, a postadora (neologismo idiota). Pois penso que é isso o que você pensa sobre mim. Que sou babaca, idiota e burra. Estou repetindo não para economizar vocabulário, mas por não ter mais vocabulário para me expressar.
Assim, simplória, sincera e babaca. Hoje estou tão humana. Sinto inveja e sinto raiva. De várias coisas, sobre vários rostos. Daquilo que eu deixei morrer. Daquilo que eu me transformei. De mulher super interessante e cheia de mistérios (inclusive os da carne) para ensinar, a uma qualquer-coisa aspirante à alguma imitação, de vocabulário curto, fala pobre, ambigüidades quase sem vírgulas e sem conteúdo.
E, se fosse isso, só pra cavar o fundo do poço (onde me encontro nessas linhas) ainda mais fundo, eu te atestaria minha superficialidade dizendo mas eu emagreci e até pintei o cabelo! Falaria com tanta convicção, com aquele meu sorrisinho irritante e as mãos espalmadas indicando que isso é óbvio, que confie em mim (que paro nessa posição com a boca aberta). Mãos espalmadas com unhas mal-cortadas. Talvez seja isso. Talvez eu devesse fazer as unhas, talvez.
Ah, esse mundão (!) e suas injustiças. Tudo o que tive em mãos (inclusive você, que deve querer se esquecer disso) deve ter sido única e meramente um fruto do acaso, da sorte, de um vento favorável que me fez fechar o olho direito porque estava contra o sol, e te fez achar tal gesto charmoso. Sei lá. Só não entendo porque foi que tiraram de mim essa sorte e doaram para eles, que tanto fedem e nem sabem fazer Pen Spinning!

Talvez, se não fosse o chips, eu teria evitado as baratas. E se eu tivesse sentado mais para trás, eu teria evitado o cocô da pomba. (b-a-b-a-c-a!)

sábado, 30 de agosto de 2008

Esqueça

A S S I M É Q U E vão ser todos os frios todas as escuridões e toda a solidão? Meu pesado casaco vermelho nunca vai me dar o calor que eu preciso nesta noite e em todas as próximas? Será mesmo que seus braços o roubaram (meu calor) e, assim sendo, hei de padecer sentindo frio se eu não estiver sentindo você?
Não é por nada, mas hoje eu daria o meu casaco vermelho e todas as roupas do meu guarda-roupa e até as do meu corpo para poder ser esquentada pelo teu abraço que tanta falta me faz. O teu abraço, e eu faria um doce para comermos enquanto assistimos algum filme qualquer, nunca importou qual fosse. Só me importava a brincadeira de nossas mãos debaixo do edredon amarelo, que também me tem feito tão fria ultimamente.
Tua imagem me vem tão falha e fraca, está sumindo da minha cabeça. Evito ver fotos e até lembrá-la, mas as noites como hoje me provam que eu nunca mais fui eu sem você, e que, mesmo sem rumo ainda sou sua, sem rumo e nua, mas nem todo o meu enxoval te traria de volta pra mim.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Invisível

A C H O Q U E se foram com o vento. Esqueceram de me avisar. Talvez haja algo, aqui, nesse espaço de tempo, vindo para aniquilar a raça humana. E eu fiquei. Eu fiquei porque não sei o que esperar. Porque eu não tive a mesma pressa de partir. Porque eu nem soube que me deixariam aqui. Não restaram marcas, fotos, nem pó. Se foram como vieram: rápidos, indestrutíveis.
Intensos.
Perceptíveis.
Perturbadores.
Foram e levaram meus mais preciosos bens. E não foi de mim que quiseram fugir. Antes fosse. Antes eu tivesse a certeza de que estar sozinha aqui me levaria à auto-destruição semi-instantânea que serviria como uma libertação da humanidade. Mas não sou uma ameaça.
Fui esquecida e algo está por vir.
Algo que eu não sei e não tenho a quem perguntar.
Passo esses meus tempos a desejar que esse algo venha logo e me salve desse tempo desse tempo desse tempo que me mata (mas não mata) mais.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

I T W A S N ' T for me. I'm not supposed to make anything become real. If I was, I would have understood what is that thing you're talking about. But I didn't get it. So, it's talking about someone else. I don't have to complain - I know I'm not the only one, and I did ask you to keep things going like this. But I don't know, maybe I wish I was, like that thing you scream for every week.
Nevermind.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Couple of Things to Forget

I L O V E people who produce with pleasure. Not in a mean of work, but in a manner of pleasure and fun, only. They're lovely. Those silly smiles, those bright eyes, as if everything was so simple and natural. They just seem so natural doing the stuff they do. As if there wasn't anything else. Just the music, the cigarette, the beer. These kindda so-everyday-things get so sophisticated and admirable upon their hands, that seem to touch so soft and subtle! And they get there forever, doing their stuff, having fun and being so true to themselves and the other's. Sometimes I feel like them. I felt it so real last saturday night. But it was just a dream over.
I know, I know. They may have jobs to survive. They may have accounts to pay and lots of things to be worried about. Just like me and you. I guess they do. And I'm gonna be this one next twenty treeth. I'm gonna be all I wanna be. I don't have to care for you anymore. I'm glad I'm free and this is such a cruel thing to say. May be painful to read. That's why I don't want you to read it. I'm just not lying this time.
Actually, maybe I'm not ready to breath alone yet, and that's why it's being so easy to deal with. I've wrote this language because this is the language they use to sing - and also I do. I can go wherever I want because my phone will not ring anymore. I know I'll miss it. But let me enjoy what's still here, left after you. Maybe I've liked the way you shave your hair and I'm sure it's because of your smile. We're gonna be great and paceful. Hope we be fine.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

I miss you.
Miss you so bad.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Caminhos Cruzados

V O U U T I L I Z A R as palavras de outra pessoa porque nesse momento eu estou meio que feliz demais e assim me fogem as minhas. Não porque a felicidade não seja um sentimento digno de ser escrito. Aliás, só estou aqui escrevendo porque a felicidade merece que não sejam apenas palavras alheias. É que, junto com essa alegria, estou também ansiosa, eufórica e impaciente, e, isso sim, faz com que as idéias só fiquem na minha mente e eu não consiga parar e me concentrar o suficiente para deixá-las bonitas e verdadeiras. Portanto, vou utilizar de João Bosco porque ele, aqui, está falando por mim.



Quando um coração que está cansado de sofrer
Encontra um coração também cansado de sofrer
É tempo de se pensar
Que o amor pode, de repente, chegar
Quando existe alguém, que tem saudade de alguém
E esse outro alguém não entender
Deixe esse novo amor chegar
Mesmo que depois
Seja imprescindível chorar
Que tolo fui eu
Que, em vão, tentei raciocinar
Nas coisas do amor
Que ninguém pode explicar
Vem, nós dois vamos tentar
Só um novo amor pode a saudade apagar

Deixa esse novo amor ...



(...) Pois minha dúvida se esvaiu! Agora sei que eu acredito em destino! Não foi em vão que abri aquela porta bem naquele momento, e isso faz com que minha medíocre vida, enfim, tenha algum sentido. Que mesmo quando pareça inútil, no final vai ser explicado.

Now you are inside my head.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Nostalgia pt. I

C H E G U E I E M casa hoje, e, com o barulho de minha chegada, que é estrondosa, alguém logo gritou:
- Vem ver! Vem ver!
Elas estavam sorridentes. É engraçado como a nostalgia causa esse sentimento de felicidade. Uns sete álbuns em cima do balcão, fotos antigas espalhadas sobre a mesa. E o sorriso nos lábios delas, ao relembrar de tantos anos atrás. Tinha até uma minha, que é clássica. Eu, no sofá, com um ano de idade, vestida de Papai Noel nesse calor de Foz do Iguaçu, pra não dizer palavrão, ou, calor da porra. Cruel, não?
As mais recentes eram de 2004, ano em que, se não me engano, compraram a tão obsecada Câmera Digital. São quatro anos de recordações que estão estocadas e entulhadas aqui nesse computador de onde vos escrevo. Leia-se que esta minha querida e amada máquina que ainda minhas angústias guarda, está também estocada e entulhada de vírus. Ou seja, no vocabulário popular, os 41,2 por 15,5 por 42 centímetros e quase seis quilos do meu gabinete estão sendo cruelmente disputados pelas fotos e vírus, numa batalha injusta e sem mediador, sem juiz.

(...)

domingo, 6 de julho de 2008

Química

- P O D E E N T R A R, fique à vontade. - falou assim, automaticamente.
Sentou-se e repousou a bolsa branca de tecido no colo, sem saber direito o que vinha.
- Chá?
- Não, obrigada...
Ofereceu só pra ser anfitrião, pois eram coisas que anfitriões deveriam fazer. Virou-se para não ser observado nos olhos, e, lembrando que não tinha nada a perder, resolveu arriscar:
- Vodka?
- Por favor!

Não era comum tomarem álcool nesses tipos de reuniões. Apesar das roupas, perceberam-se não-comuns e sorriram disfarçadamente, por dentro.
Não obstante, foi naquele momento que se descobriram para o resto da vida, e além.