sábado, 30 de agosto de 2008

Esqueça

A S S I M É Q U E vão ser todos os frios todas as escuridões e toda a solidão? Meu pesado casaco vermelho nunca vai me dar o calor que eu preciso nesta noite e em todas as próximas? Será mesmo que seus braços o roubaram (meu calor) e, assim sendo, hei de padecer sentindo frio se eu não estiver sentindo você?
Não é por nada, mas hoje eu daria o meu casaco vermelho e todas as roupas do meu guarda-roupa e até as do meu corpo para poder ser esquentada pelo teu abraço que tanta falta me faz. O teu abraço, e eu faria um doce para comermos enquanto assistimos algum filme qualquer, nunca importou qual fosse. Só me importava a brincadeira de nossas mãos debaixo do edredon amarelo, que também me tem feito tão fria ultimamente.
Tua imagem me vem tão falha e fraca, está sumindo da minha cabeça. Evito ver fotos e até lembrá-la, mas as noites como hoje me provam que eu nunca mais fui eu sem você, e que, mesmo sem rumo ainda sou sua, sem rumo e nua, mas nem todo o meu enxoval te traria de volta pra mim.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Invisível

A C H O Q U E se foram com o vento. Esqueceram de me avisar. Talvez haja algo, aqui, nesse espaço de tempo, vindo para aniquilar a raça humana. E eu fiquei. Eu fiquei porque não sei o que esperar. Porque eu não tive a mesma pressa de partir. Porque eu nem soube que me deixariam aqui. Não restaram marcas, fotos, nem pó. Se foram como vieram: rápidos, indestrutíveis.
Intensos.
Perceptíveis.
Perturbadores.
Foram e levaram meus mais preciosos bens. E não foi de mim que quiseram fugir. Antes fosse. Antes eu tivesse a certeza de que estar sozinha aqui me levaria à auto-destruição semi-instantânea que serviria como uma libertação da humanidade. Mas não sou uma ameaça.
Fui esquecida e algo está por vir.
Algo que eu não sei e não tenho a quem perguntar.
Passo esses meus tempos a desejar que esse algo venha logo e me salve desse tempo desse tempo desse tempo que me mata (mas não mata) mais.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

I T W A S N ' T for me. I'm not supposed to make anything become real. If I was, I would have understood what is that thing you're talking about. But I didn't get it. So, it's talking about someone else. I don't have to complain - I know I'm not the only one, and I did ask you to keep things going like this. But I don't know, maybe I wish I was, like that thing you scream for every week.
Nevermind.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Couple of Things to Forget

I L O V E people who produce with pleasure. Not in a mean of work, but in a manner of pleasure and fun, only. They're lovely. Those silly smiles, those bright eyes, as if everything was so simple and natural. They just seem so natural doing the stuff they do. As if there wasn't anything else. Just the music, the cigarette, the beer. These kindda so-everyday-things get so sophisticated and admirable upon their hands, that seem to touch so soft and subtle! And they get there forever, doing their stuff, having fun and being so true to themselves and the other's. Sometimes I feel like them. I felt it so real last saturday night. But it was just a dream over.
I know, I know. They may have jobs to survive. They may have accounts to pay and lots of things to be worried about. Just like me and you. I guess they do. And I'm gonna be this one next twenty treeth. I'm gonna be all I wanna be. I don't have to care for you anymore. I'm glad I'm free and this is such a cruel thing to say. May be painful to read. That's why I don't want you to read it. I'm just not lying this time.
Actually, maybe I'm not ready to breath alone yet, and that's why it's being so easy to deal with. I've wrote this language because this is the language they use to sing - and also I do. I can go wherever I want because my phone will not ring anymore. I know I'll miss it. But let me enjoy what's still here, left after you. Maybe I've liked the way you shave your hair and I'm sure it's because of your smile. We're gonna be great and paceful. Hope we be fine.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

I miss you.
Miss you so bad.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Caminhos Cruzados

V O U U T I L I Z A R as palavras de outra pessoa porque nesse momento eu estou meio que feliz demais e assim me fogem as minhas. Não porque a felicidade não seja um sentimento digno de ser escrito. Aliás, só estou aqui escrevendo porque a felicidade merece que não sejam apenas palavras alheias. É que, junto com essa alegria, estou também ansiosa, eufórica e impaciente, e, isso sim, faz com que as idéias só fiquem na minha mente e eu não consiga parar e me concentrar o suficiente para deixá-las bonitas e verdadeiras. Portanto, vou utilizar de João Bosco porque ele, aqui, está falando por mim.



Quando um coração que está cansado de sofrer
Encontra um coração também cansado de sofrer
É tempo de se pensar
Que o amor pode, de repente, chegar
Quando existe alguém, que tem saudade de alguém
E esse outro alguém não entender
Deixe esse novo amor chegar
Mesmo que depois
Seja imprescindível chorar
Que tolo fui eu
Que, em vão, tentei raciocinar
Nas coisas do amor
Que ninguém pode explicar
Vem, nós dois vamos tentar
Só um novo amor pode a saudade apagar

Deixa esse novo amor ...



(...) Pois minha dúvida se esvaiu! Agora sei que eu acredito em destino! Não foi em vão que abri aquela porta bem naquele momento, e isso faz com que minha medíocre vida, enfim, tenha algum sentido. Que mesmo quando pareça inútil, no final vai ser explicado.

Now you are inside my head.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Nostalgia pt. I

C H E G U E I E M casa hoje, e, com o barulho de minha chegada, que é estrondosa, alguém logo gritou:
- Vem ver! Vem ver!
Elas estavam sorridentes. É engraçado como a nostalgia causa esse sentimento de felicidade. Uns sete álbuns em cima do balcão, fotos antigas espalhadas sobre a mesa. E o sorriso nos lábios delas, ao relembrar de tantos anos atrás. Tinha até uma minha, que é clássica. Eu, no sofá, com um ano de idade, vestida de Papai Noel nesse calor de Foz do Iguaçu, pra não dizer palavrão, ou, calor da porra. Cruel, não?
As mais recentes eram de 2004, ano em que, se não me engano, compraram a tão obsecada Câmera Digital. São quatro anos de recordações que estão estocadas e entulhadas aqui nesse computador de onde vos escrevo. Leia-se que esta minha querida e amada máquina que ainda minhas angústias guarda, está também estocada e entulhada de vírus. Ou seja, no vocabulário popular, os 41,2 por 15,5 por 42 centímetros e quase seis quilos do meu gabinete estão sendo cruelmente disputados pelas fotos e vírus, numa batalha injusta e sem mediador, sem juiz.

(...)

domingo, 6 de julho de 2008

Química

- P O D E E N T R A R, fique à vontade. - falou assim, automaticamente.
Sentou-se e repousou a bolsa branca de tecido no colo, sem saber direito o que vinha.
- Chá?
- Não, obrigada...
Ofereceu só pra ser anfitrião, pois eram coisas que anfitriões deveriam fazer. Virou-se para não ser observado nos olhos, e, lembrando que não tinha nada a perder, resolveu arriscar:
- Vodka?
- Por favor!

Não era comum tomarem álcool nesses tipos de reuniões. Apesar das roupas, perceberam-se não-comuns e sorriram disfarçadamente, por dentro.
Não obstante, foi naquele momento que se descobriram para o resto da vida, e além.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Leve



N Ã O M E leve a mal, me leve à toa pela última vez a um quiosque, ao planetário ao cais do porto, ao paço.
O meu coração (meu coração, meu coração) parece que perde um pedaço.
Mas não me leve a sério. Passou este verão. Outros passarão. Eu passo.
Não se atire do terraço, não arranque minha cabeça da sua cortiça.
Não beba muita cachaça, não se esqueça depressa de mim, sim?
Pense que eu cheguei de leve, machuquei você de leve e me retirei com pés de lã.
Sei que o seu caminho amanhã será um caminho bom, mas não me leve.
Não me leve a mal, me leve apenas para andar por aí na lagoa, no cemitério, na areia, no mormaço.
O meu coração, (meu coração, meu coração) parece que perde um pedaço, mas não me leve a sério.

Passou este verão.
Outros passarão.
Eu passo.

(Leve, Chico Buarque)

domingo, 22 de junho de 2008

Um pouco de verdade

Q U E S E se foda a literatura, a música, o cinema. Que se fodam todas as artes, da primeira a última. E, principalmente, que se fodam todos aqueles que um dia inventaram glamour nas cenas de loucura. Que se foda Paulo Coelho e sua Verônika que decide morrer. Até a Pitty, que se foda, com aquele Anacrônico de camisa-de-força.
Isso não é glamouroso.
Isso não é engraçado.
Já fui como vocês, que via beleza e poesia em remédios de tarja-preta, em terapias de choque e em vândalos descabelados gritando dialetos indecifráveis.
Mas isso não é bonito.
Isso não é poético.
Isso é triste.
Isso é doloroso.
E dói pra caramba.
Isso não me traz inspiração.
Eu não vou escrever um texto bonito. Eu não vou usar palavras difíceis. Só escrevo porque isso aqui faz algum sentido pra mim. Não é aqui onde guardo alguns dos meus sentimentos? Pois também esse quis guardar. É chato ler tanta gente se achando doente quando na verdade não é. Tanta gente que nem sabe como isso dói.
Não é brincadeira, dói de verdade. Uma dor que me corta o coração (não vou nem fugir dos clichês), ver você assim e não saber o que fazer. Eu queria não me importar, eu queria saber virar as costas e deixar passar, me distrair. Mas eu não consigo. Dói.
Já estou fraca demais pra agüentar você sumindo, você surtando, você nunca-bem. Como eu queria que fosse tudo normal. Como eu queria que ficasse tudo calmo.
Mas é o telefone tocando e me ameaçando, dizendo coisas feias que eu nunca queria ouvir da sua boca. Eu não consigo mais. Esse peso é demais pra eu carregar. É tão-mais-que-eu, que já aprendi que o único jeito de manter um pouco estável é eu deixando de ser eu pra ser você.
Dói mais ainda saber que não é culpa sua. Que, por você, poderíamos ficar bem. Talvez fosse até a sua vontade. Se não fosse essa coisa que te domina e te faz me machucar. Adianta procurar ajuda? Adianta escrever?
Sei que também tenho culpa. Mas foram minhas fraquezas, foi o meu desequilibrar com o peso que carrego. É tão doloroso te olhar mas não te ver. É tão doloroso te olhar e não te reconhecer.
Eu queria que nossa relação não fosse doente psicótica ego-dependente. Eu queria que fôssemos de andar de mãos dadas na grama, de abraçar pra aproveitar o frio, de esperar o sol se pôr e de ter tanta intimidade pra ficarmos dançando na cozinha enquanto esperamos o pão de queijo assar.
Eu queria que, por uma vez, seu sorriso não viesse com sarcasmo. Eu queria que, por uma vez, o nosso dia terminasse bem.