- O L Á, pessoal! Muito boa noite! Sejam bem-vindos! - recebeu a Porta. Mas que pessoal, se estava sozinho? Entrou num corredor esquisito que tinha cor de luz fluorescente e alguns quadros tortos pendurados de vez em quando. Tropeçou nas cascas de um ovo que estavam no chão. Nem sabe se caiu quando viu Ana no escritório. Não falava muito com Ana, mas ela estava descabelada e chorava, tinha os olhos vermelhos de tanto que chorava, desesperada. Parece que terminou o namoro, algo assim. Foi desabafar nele - se confortou nos braços, abraçou, socou de leve o ombro, puxou-lhe os cabelos e logo estavam os dois quase seminus no chão, ali mesmo, numa coisa louca tão louca que ele teve que sair para tomar um café. E quando voltou, Ana o estava esperando com a fome e a fúria. Pulou e se abraçou com as próprias pernas indicando um edredon onde pudessem se esconder - e enquanto o edredon voava, a campainha tocou, ou o telefone. Ele saiu correndo de medo - já pensou se fosse o ex? Mas não era nada, uma menina vendendo balinha, pra ela não tinha ninguém. E voltou tarado para os braços de Ana, mas ela fumava na sacada e quando ele chegou perto apanhou feito um cavalo puxando carroça. Seu tarado! - ela falou, e saiu chorando que nem uma louca. Vai entender essas mulheres! Dali então decidiu que não ia mais fazer caminhada no parque, e sim na avenida.
segunda-feira, 24 de março de 2008
domingo, 16 de março de 2008
Este blog não me sai da cabeça!

O B R I G A D A Lu, do Lexotan, pelo selo "Este blog não me sai da cabeça". É o primeiro que o Insaciedade recebe! Agradeço partindo do pressuposto de que foi um prêmio por algum mérito, embora eu ache que coisas que não saem da cabeça são meio perturbadoras. Não vou passar adiante porque ultimamente nenhum blog tem me ficado na cabeça...
quinta-feira, 6 de março de 2008
Gala
HO J E nós vamos nos encontrar na incidência do asfalto solar, onde as feras se chocam, se constragem, se cospem, se comem. Não era isso que você queria?
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
O Melhor e o Pior
C O M O P E R D Ã O da licença poética, foda-se. Cansei.
O pior é que não adianta cansar porque isso não vai mudar nada. Cansar não vai fazer com que eu me sinta um pouco menos inferior. Cansar talvez nem me faça desistir, por mais contraditório que isso seja!
Eu não sei como foi que pegaram a minha auto-estima e a jogaram no lixo. Só sei que o fizeram. E eu era tão dependente dela, tanto que eu nem tinha noção, porque, ao tê-la comigo, eu achava que não dependia de nada, muito menos de uma outra dimensão de mim mesma. Agora eu não passo de uma miserável se arrastando e implorando por um pouco de atenção. Tão miserável que não se dá ao luxo de ser medrosa. Miserável, corajosa. Porque não tem mais nada a perder, quando a auto-estima já se foi. E a talvez única saída é aquilo que mais me afunda, que mais me pisa, que mais me acaba.
Se não consigo sair, o jeito é ficar, o jeito é desistir. Qual é o grande problema em ser assim, ser ninguém, afinal?
Pode ter sido aquela carta idiota. Aquela carta que não mereceu receber nem uma merda de um telegrama, nem pra mandar tomar no cu. E por quê, hein? Porque não era o certo? Confesso aqui minha hipocrisia, mas sei que não estive sozinha. Quem é você pra me falar do que é certo?
Não adianta mais fingir, fugir, que eu já sei de tudo. Sei que você seria mais intelectualmente capaz do que isso. De jargões e clichês as ruas estão cheias. É você que sabe onde procura.
O pior é que não adianta cansar porque isso não vai mudar nada. Cansar não vai fazer com que eu me sinta um pouco menos inferior. Cansar talvez nem me faça desistir, por mais contraditório que isso seja!
Eu não sei como foi que pegaram a minha auto-estima e a jogaram no lixo. Só sei que o fizeram. E eu era tão dependente dela, tanto que eu nem tinha noção, porque, ao tê-la comigo, eu achava que não dependia de nada, muito menos de uma outra dimensão de mim mesma. Agora eu não passo de uma miserável se arrastando e implorando por um pouco de atenção. Tão miserável que não se dá ao luxo de ser medrosa. Miserável, corajosa. Porque não tem mais nada a perder, quando a auto-estima já se foi. E a talvez única saída é aquilo que mais me afunda, que mais me pisa, que mais me acaba.
Se não consigo sair, o jeito é ficar, o jeito é desistir. Qual é o grande problema em ser assim, ser ninguém, afinal?
Pode ter sido aquela carta idiota. Aquela carta que não mereceu receber nem uma merda de um telegrama, nem pra mandar tomar no cu. E por quê, hein? Porque não era o certo? Confesso aqui minha hipocrisia, mas sei que não estive sozinha. Quem é você pra me falar do que é certo?
Não adianta mais fingir, fugir, que eu já sei de tudo. Sei que você seria mais intelectualmente capaz do que isso. De jargões e clichês as ruas estão cheias. É você que sabe onde procura.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Justine e o Fim do Mundo
J U S T I N E pegou o revólver, puxou o gatilho e estourou os miolos. Foram miolos voando para tudo quanto era lugar, enquanto era tempo. Explodiram que nem pipoca mas nem sequer um corvo teve coragem de comer.
Justine foi embora do mundo e ninguém sentiu falta dela. Na verdade, o patrão ficou puto porque ela se foi sem deixar uma substituta. E o namorado ficou indignado porque ele tinha feito uma dívida gigante por causa dela, aquela cadela. O que ele não lembra é que, no último mês, ele não ouviu o que ela tinha pra dizer, e olhou pros lados quando ela queria consertar o "nós dois". Logo ela, ela, que vivia dizendo para ele não cometer nenhuma loucura. Ela que foi a louca. A Louca se foi. E, como Eleanor Rigby, deixou o mundo em silêncio, do mesmo jeito que viveu a curta vida. Sempre em silêncio, de fininho, sutilmente. O pior de tudo é que partir foi o melhor que ela fez, coitada.
Justine foi embora do mundo e ninguém sentiu falta dela. Na verdade, o patrão ficou puto porque ela se foi sem deixar uma substituta. E o namorado ficou indignado porque ele tinha feito uma dívida gigante por causa dela, aquela cadela. O que ele não lembra é que, no último mês, ele não ouviu o que ela tinha pra dizer, e olhou pros lados quando ela queria consertar o "nós dois". Logo ela, ela, que vivia dizendo para ele não cometer nenhuma loucura. Ela que foi a louca. A Louca se foi. E, como Eleanor Rigby, deixou o mundo em silêncio, do mesmo jeito que viveu a curta vida. Sempre em silêncio, de fininho, sutilmente. O pior de tudo é que partir foi o melhor que ela fez, coitada.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Malditas Imprecisões
V I E M A L G U M L U G A R que não me lembro agora uma constatação que me intrigou. Eu não sei se seria realmente uma constatação ou uma mera suposição, mas eu sei que, no meu caso se aplica. Dizia que as mulheres sentem mais satisfação com a lembrança de um momento bom do que no momento em si. Eu sou dessas.
Também acho que o que determina a felicidade na vida de uma pessoa é muito mais o jeito como ela vê as coisas e o que ela pensa do que a soma dos acontecimentos tendo eles sido causados por ela ou não. O grande problema é que é quase impossível controlar os pensamentos!
Penso em tudo isso que eu tenho, que eu conquistei, e consigo ficar um pouco feliz. Pouco porque tudo isso é muito frágil. Qualquer uma dessas coisas pode acabar a qualquer momento. E eu não consigo aproveitá-las o bastante quando penso que sentirei falta se acabarem.
Às vezes eu queria um pouco mais de estabilidade, de sossego, mesmo sabendo que sossego demais enjoa. Mas essa corda bamba tá ficando foda.
E é desgosto o que eu vou sentir se amanhã o telefone não tocar a tempo. Malditas imprecisões!
Também acho que o que determina a felicidade na vida de uma pessoa é muito mais o jeito como ela vê as coisas e o que ela pensa do que a soma dos acontecimentos tendo eles sido causados por ela ou não. O grande problema é que é quase impossível controlar os pensamentos!
Penso em tudo isso que eu tenho, que eu conquistei, e consigo ficar um pouco feliz. Pouco porque tudo isso é muito frágil. Qualquer uma dessas coisas pode acabar a qualquer momento. E eu não consigo aproveitá-las o bastante quando penso que sentirei falta se acabarem.
Às vezes eu queria um pouco mais de estabilidade, de sossego, mesmo sabendo que sossego demais enjoa. Mas essa corda bamba tá ficando foda.
E é desgosto o que eu vou sentir se amanhã o telefone não tocar a tempo. Malditas imprecisões!
domingo, 17 de fevereiro de 2008
A menina que não dizia novidades
C H E G A V A o fim do dia e ela olhou pela janela do carro que não tinha gotas.
- Hoje não choveu.
Ninguém deu atenção, um lá respondeu com sarcasmo e continuaram suando e tomando suas coca-colas. Marcela começou a contar uma fofoca sobre um ator da televisão que não veriam pessoalmente nem em 100 anos, mas tanto fazia parte daquele fim de tarde que deixava Helen enojada. Helen, a menina desinformada. Helen, a menina que não dizia novidades. Fingiu estar concentrada no vidro do carro pra tentar não ouvir a mesma ladainha. Gostava de viver assim, meio no pretérito imperfeito. E, sim, pra ela importava se havia chovido ou não. Porque tinha planos. Iria pela rua 7 ao invés de ir pela 11, como sempre vai, caso chovesse. E, talvez, no caminho da rua 7 comprasse um doce de Pelotas, que não comia desde que papai ficou diabético.
A chuva podia deixá-la resfriada, e ela teria que passar a madrugada "assistindo filme velho na tevê", como diria a moça da propaganda do Doril. Talvez conseguisse escrever um poema ou sentiria uma coragem revolucionária para comprar flores e se entregar.
Mas, talvez por infortúnio, naquele dia não choveu.
- Hoje não choveu.
Ninguém deu atenção, um lá respondeu com sarcasmo e continuaram suando e tomando suas coca-colas. Marcela começou a contar uma fofoca sobre um ator da televisão que não veriam pessoalmente nem em 100 anos, mas tanto fazia parte daquele fim de tarde que deixava Helen enojada. Helen, a menina desinformada. Helen, a menina que não dizia novidades. Fingiu estar concentrada no vidro do carro pra tentar não ouvir a mesma ladainha. Gostava de viver assim, meio no pretérito imperfeito. E, sim, pra ela importava se havia chovido ou não. Porque tinha planos. Iria pela rua 7 ao invés de ir pela 11, como sempre vai, caso chovesse. E, talvez, no caminho da rua 7 comprasse um doce de Pelotas, que não comia desde que papai ficou diabético.
A chuva podia deixá-la resfriada, e ela teria que passar a madrugada "assistindo filme velho na tevê", como diria a moça da propaganda do Doril. Talvez conseguisse escrever um poema ou sentiria uma coragem revolucionária para comprar flores e se entregar.
Mas, talvez por infortúnio, naquele dia não choveu.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Poema Para Períodos Putos
O I
Tudo é uma bosta
Parece uma merda
E eu sou uma ameba
Olá
Hoje o céu está cinza
Parece um ranzinza
Que fica a dizer
Vão todos se foder
Alô
Eu vi um macaco
Com cara de pato
E voz de...
Filho da puta
Adeus
Encerro esse poema
Com mais esse dilema
E agora quem é que vai
te comer, seu merda?
Tudo é uma bosta
Parece uma merda
E eu sou uma ameba
Olá
Hoje o céu está cinza
Parece um ranzinza
Que fica a dizer
Vão todos se foder
Alô
Eu vi um macaco
Com cara de pato
E voz de...
Filho da puta
Adeus
Encerro esse poema
Com mais esse dilema
E agora quem é que vai
te comer, seu merda?
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
O Si-Mesmo
U M C O N F R O N T O inevitável, esse nosso com o Si-Mesmo. Por que o Si-Mesmo é tão cruel? Primeiro, ele te deixa nua. É violento e impaciente no processo do despir-se. Basta olhar nos olhos do Si-Mesmo, que lá está você, nua. Ele não precisa chegar perto, nem encostar pra perceber que você está desconfortável. E é exatamente essa a intensão dele: te deixar desconfortável. Porque, desse modo, você acaba revelando seus medos. É olhando nos seus olhos que ele arranca a sua roupa e suas farsas. E então você fica, nua e sem máscaras. Sem nada pra esconder. Despida, descoberta, encurralada. O Si-Mesmo some e te deixa. Só você e a sua verdade. E a verdade sobre Si-Mesmo é a pior de todas.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Mememememememememememememememe
N A T H á L I A, Do ShE WaLks On mE,
me mandou um meme sobre momentos que marcaram minha vida. No final, eu deveria repassar para mais gente, mas eu não tenho pra quem mandar afinal ela já mandou para quem eu mandaria!Melhor momento: Aquelas duas horas no ônibus rumo à Cascavel. Eu não sei se pode-se dizer "melhor momento" porque havia o meu medo, e a preocupação e mágoa causada a algumas pessoas. Mas a sensação de liberdade, e cumprimento de uma vontade que eu achei que jamais realizaria, foi a melhor que eu já tive.
Pior momento: O estopim para o momento anteriormente citado. Foi no meio da rua, era o beijo, e depois a voz, e ficar sem saída, encurralada. E aquelas palavras, aqueles gritos... Não gosto de lembrar.
Arrependimento: Não ter tirado nenhuma foto com os meus pais e minha irmã na minha formatura da 8ª série.
Algo que aprendi: E que ainda estou aprendendo é a ser mais paciente.
Algo que pretendo esquecer: Eu valorizo a minha história, e não pretendo esquecer nada que faça parte dela. Existem algumas coisas que eu não gosto de lembrar, mas que, com o passar do tempo, vão se tornando insignificantes perto do que eu construí, e do que eu sou.
Filme que adorei assistir: Imagine Eu e Você, Cazuza, Moulin Rouge (Eu sei que era pra escolher só um, mas não me agüentei...)
Promessa para esse ano: Parar de comer tanta porcaria...
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