Ele gosta de Metal. Ela gosta de samba.
Ele faz Direito. Ela é de Esquerda.
Ele crê em Deus. Ela crê na noite.
Ele já sofreu. Ela bebe pra esquecer.
Ele, verde. Ela, vermelho.
Ele, Flamengo. Ela, cinema.
Ele, calma. Ela, impulso.
Ele, mulheres. Ela também.
Amanhã
Vão se encontrar
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Mas tentando causa
Insinuando, alguém ligou você
Nossas, meu! Esfinges, esperança, asneiras
Entender dor unem, enquanto causa ausência
Outros, se, um dizendo estranho "não"
Infinitas beijando, amar, anda!
Tentando, tristes, preocupe:
Vou quase corpo que beber você passa
Mas, esferas, odeio braçais.
Faz-te-não-volta a que mas e me dói.
Nossas, meu! Esfinges, esperança, asneiras
Entender dor unem, enquanto causa ausência
Outros, se, um dizendo estranho "não"
Infinitas beijando, amar, anda!
Tentando, tristes, preocupe:
Vou quase corpo que beber você passa
Mas, esferas, odeio braçais.
Faz-te-não-volta a que mas e me dói.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Ah, insensatez!
A insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor
Um amor tão delicado
Ah! Porque você foi fraco assim
Assim tão desalmado
Ah! Meu coração quem nunca amou
Não merece ser amado
Vai meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai meu coração
Pede perdão, perdão apaixonado
Vai porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor
Um amor tão delicado
Ah! Porque você foi fraco assim
Assim tão desalmado
Ah! Meu coração quem nunca amou
Não merece ser amado
Vai meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai meu coração
Pede perdão, perdão apaixonado
Vai porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Esse cara
Ah, esse cara tem me consumido!
A mim e a tudo que eu quis
Com seus olhinhos infantis
Com os olhos de um bandido
Ele está na minha vida porque quer
Eu estou para o que der e vier
Ah, esse cara tem me consumido!
A mim e a tudo que eu quis
Com seus olhinhos infantis
Com os olhos de um bandido
Ele está na minha vida porque quer
Eu estou para o que der e vier
Ah, esse cara tem me consumido!
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Sorri, seus dentes de chumbo
a me abocanhar mais uma vez. Enquanto as cabras não me amordaçarem as leoas, fica tudo direito. Assim como a mão que uso pra escrever, e o lado que preferes teu meio sorriso. Juro que naquele abraço, senti bater um coração. Que batia tão forte, que nunca (jamais) consegui saber de qual peito vinha. Do meu ou do teu? Apesar de não ter ido muito com a cara dos lacinhos e dos rabiscos em neon, no final saí de lá mais leve, e não só com a sensação de dever cumprido. Com a certeza que aquele abraço e aquele coração sem dono não era mesmo meu, nem teu. Era nosso, e pulsava radiante a alegria e a glória da descoberta de um começo. Em ti, pela novidade que eu ali representava. Em mim, pela descoberta quase póstuma de que a vida ainda poderia me surpreender. De lá àqui, nunca esqueci a intensidade do abraço que marcava: nada mais seria igual.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Bate outra vez com esperanças o meu coração, pois já vai terminando o verão, enfim. Volto ao jardim na certeza que devo chorar, pois bem sei que não queres voltar para mim. Queixo-me às rosas. Mas, que bobagem, as rosas não falam! Simplesmente, as rosas exalam o perfume que roubam de ti!
Devias vir para ver os meus olhos tristonhos.
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
por
fim.
Devias vir para ver os meus olhos tristonhos.
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
por
fim.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Ameaça Velada (um desabafo em código morse)
Hoje o dia tá assim, pra tempestade. Achei que a essa altura a dor física já haveria me deixado em paz. Mas não, só foi piorando, a ponto de me fazer temer o que ainda há por vir. Aposto que você nem sabe o que é isso. Toda essa tua esperteza e malandragem não devem ter te deixado sentir muitas coisas, afinal.
Talvez eu me arrependa de não ter ouvido um único dos seus conselhos. Mas não sei se resolveria mesmo, não ouvi. Você sabe que nunca te dei muita moral mesmo. O fato é que toda essa situação foi causada, em boa parte, por você e seu jeito de sempre se dar bem. O que me admira é a tua cara-de-pau de tentar me confortar. Fingir, dissimular.
E, mais uma vez, pisaste em não sei quantos pra conseguir o que queria. Você sabe que existe um lado perverso que nos é comum, e não vou ser hipócrita de negá-lo. Acontece que me deixei levar, e, inocentemente, também caí nas tuas garras. Agora fui um dos degraus que você pisou, tão levianamente, para ficar mais confortável no teu grande dia. Olha como sou patética: você era uma das últimas pessoas de quem eu esperava tamanha decepção.
Não estou negando aqui que existiram outros fatores, que se decidiram alheios à sua vontade. Francamente, você não é tanta coisa assim. Outra coisa que eu não esperava fosse tamanha fraqueza e falta de personalidade. Sei que não foi grande o teu trabalho de manipular mentes fáceis e manipuláveis. Mas tudo bem, agora já não me surpreendo mais com nada.
Mas não, querida. Essa minha dor não é, não foi, nem nunca será por você. É pelo que você me tirou, porque te daria uma certa vantagem a mais, talvez te ajudaria a disfarçar tua solidão. De qualquer forma, é melhor você começar a se conformar. És tão superficial que jamais alguém se envolverá tanto contigo. Jamais alguém chorará tuas dores. Jamais alguém sentirá verdadeiramente a tua falta. Ao teu redor, cercar-se-há de sentimentos tão profundos quanto um píres. Tua única verdade será essa tua inveja amarga, que ainda vai te corroer. Até lá, encarregar-se-há de destruir tudo o que lhe parecer bom e verdadeiro, só pra agregar mais novos infelizes à tua desgraça de existir.
Hoje jogo teu jogo pela tua ameaça, não pela tua companhia. Te sorrio não porque falaste alguma coisa agradável, e sim porque sinto o cano gelado do teu revólver no meu pescoço. Se bem que, sem querer fazer drama, a essa altura, até que seria interessante morrer.
Talvez eu me arrependa de não ter ouvido um único dos seus conselhos. Mas não sei se resolveria mesmo, não ouvi. Você sabe que nunca te dei muita moral mesmo. O fato é que toda essa situação foi causada, em boa parte, por você e seu jeito de sempre se dar bem. O que me admira é a tua cara-de-pau de tentar me confortar. Fingir, dissimular.
E, mais uma vez, pisaste em não sei quantos pra conseguir o que queria. Você sabe que existe um lado perverso que nos é comum, e não vou ser hipócrita de negá-lo. Acontece que me deixei levar, e, inocentemente, também caí nas tuas garras. Agora fui um dos degraus que você pisou, tão levianamente, para ficar mais confortável no teu grande dia. Olha como sou patética: você era uma das últimas pessoas de quem eu esperava tamanha decepção.
Não estou negando aqui que existiram outros fatores, que se decidiram alheios à sua vontade. Francamente, você não é tanta coisa assim. Outra coisa que eu não esperava fosse tamanha fraqueza e falta de personalidade. Sei que não foi grande o teu trabalho de manipular mentes fáceis e manipuláveis. Mas tudo bem, agora já não me surpreendo mais com nada.
Mas não, querida. Essa minha dor não é, não foi, nem nunca será por você. É pelo que você me tirou, porque te daria uma certa vantagem a mais, talvez te ajudaria a disfarçar tua solidão. De qualquer forma, é melhor você começar a se conformar. És tão superficial que jamais alguém se envolverá tanto contigo. Jamais alguém chorará tuas dores. Jamais alguém sentirá verdadeiramente a tua falta. Ao teu redor, cercar-se-há de sentimentos tão profundos quanto um píres. Tua única verdade será essa tua inveja amarga, que ainda vai te corroer. Até lá, encarregar-se-há de destruir tudo o que lhe parecer bom e verdadeiro, só pra agregar mais novos infelizes à tua desgraça de existir.
Hoje jogo teu jogo pela tua ameaça, não pela tua companhia. Te sorrio não porque falaste alguma coisa agradável, e sim porque sinto o cano gelado do teu revólver no meu pescoço. Se bem que, sem querer fazer drama, a essa altura, até que seria interessante morrer.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
A Manner of Wisdom
Diz-se dos sábios que são aqueles que sabem a hora de parar: no auge. Chega a me dar calafrios pensar em toda essa prepotência que, além de lhes ser congênita, lhes é esperada e até respeitada. Tipo, eles sabem o que fazem. Prepotência e meias-verdades, e vidas incompletas. Mas então, o auge.
Pra quê um segundo orgasmo? Não, é melhor partir. Antes que seja tarde demais, é o que dizem. Antes que a situação saia do controle. Antes que comece a fazer falta e doer. Não estou de brincadeira, é assim mesmo. Quando você menos esperar, lá estarão eles com suas cardenetas e cálculos científicos de efeito a longo prazo.
Veja bem, está tudo ali, em números claros: quanto antes parar, antes estará recuperado, novinho em folha e pronto pra outra. Vai ser bom para todos, veja. Os números não me deixam mentir.
Estou prestes a admitir que estavam certos, os sábios, mas não sem antes fazer uma ressalva: pro inferno com sua lógica infalível.
Eu não. Eu sou de extrair e sugar até a última gota - nem que seja puro veneno tudo o que tenha restado. E nem isso me satisfaz. Uma gotinha de veneno? Eu quero muito mais do que gotas. Quero me envenenar até desvanecer. Quero acordar com gosto de amargura pra cospir. Enterrar o resto da fruta podre para que, talvez, dela brote mais veneno pra me contaminar. Sim, sou adepta às irrealidades romantizadas dos livros, sou de viver passional e gostar de dor.
Quanto a você, que ajeita o nó da gravata e tenta insistentemente pensar em outra coisa (que não eu e/ou o que acabou de ler), minhas sinceras condolências. Vai nessa, os números não te deixam mentir - será o melhor pra todos nós. Sei que não faria cálculos levianos. Desculpe estar rindo, eu não te imaginava carregando uma prancheta desse jeito. Devo admitir que, sábio, mais-que-acertou: você não é pra mim. Mas não é que quase me enganou?
Risos sábios contidos desesperados.
Pra quê um segundo orgasmo? Não, é melhor partir. Antes que seja tarde demais, é o que dizem. Antes que a situação saia do controle. Antes que comece a fazer falta e doer. Não estou de brincadeira, é assim mesmo. Quando você menos esperar, lá estarão eles com suas cardenetas e cálculos científicos de efeito a longo prazo.
Veja bem, está tudo ali, em números claros: quanto antes parar, antes estará recuperado, novinho em folha e pronto pra outra. Vai ser bom para todos, veja. Os números não me deixam mentir.
Estou prestes a admitir que estavam certos, os sábios, mas não sem antes fazer uma ressalva: pro inferno com sua lógica infalível.
Eu não. Eu sou de extrair e sugar até a última gota - nem que seja puro veneno tudo o que tenha restado. E nem isso me satisfaz. Uma gotinha de veneno? Eu quero muito mais do que gotas. Quero me envenenar até desvanecer. Quero acordar com gosto de amargura pra cospir. Enterrar o resto da fruta podre para que, talvez, dela brote mais veneno pra me contaminar. Sim, sou adepta às irrealidades romantizadas dos livros, sou de viver passional e gostar de dor.
Quanto a você, que ajeita o nó da gravata e tenta insistentemente pensar em outra coisa (que não eu e/ou o que acabou de ler), minhas sinceras condolências. Vai nessa, os números não te deixam mentir - será o melhor pra todos nós. Sei que não faria cálculos levianos. Desculpe estar rindo, eu não te imaginava carregando uma prancheta desse jeito. Devo admitir que, sábio, mais-que-acertou: você não é pra mim. Mas não é que quase me enganou?
Risos sábios contidos desesperados.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Os Dois Abraços - pt. III
Os dias de inverno eram particularmente incríveis. Tinha toda aquela coisa de andar de braço dado. Assim eu chegava perto o suficiente para, de relance, sentir o perfume. Nem tão perto quanto eu gostaria. Nem tão longe quanto a vida me queria. *
Doce e suave perfume, que nunca soube qual era, e nunca existiu em outros tecidos.
Eu me perguntava se tal cheiro era de frasco ou de pele. Doce, suave e natural, como o sorriso, a camiseta cortada, o jeito de prender o cabelo... De repente o frio, e era tarde. Meus ombros monstruosamente encolhidos, ainda mais do que de costume, auto-friccionando os braços cujos pelinhos estavam parecendo bolinhas de tão arrepiados. Não tinha vento. Era o inverno chegando, mas não a ponto de soprar fumaça. As paredes da casa não me deixaram perceber o passar das horas nem o esfriar taciturno das luminárias.
Aliás, não só as paredes. Também a frestinha do espelho do banheiro, que eu conseguia ver pelo corredor. Refletia as nuanças entre testa e ombro, do lado esquerdo. Só. Dependentes da iluminação da tevê, que reluzia várias cores, me permitindo uma viagem meio psicodélica meio quase litúrgica de tentar enxergá-la naquela frestinha distante refletora.
Abrir a porta foi voltar à realidade - fria e peremptória. Sem redenção. Exatamente como o céu negro e sem estrelas que punha fim a mais um cândido dia de quimera, me anunciando a inimizada hora de partir. Deparar-me com tal noite insípida mais do que serviu para se ajustar a meu estado de espírito.
Minha pele gelada refletia meu descontentamento, que foi percebido assim que em contato para se despedir. Tão logo, a solução que nem pretendia ser mas era, sem saber, minha recompensa.
- Pega o meu moletom.
O vesti como um abraço, que me aqueceu o corpo e os ânimos. Era branco, com um desenho estampado. E tinha a fragrância! Doce, suave e natural. Agora em mim, comigo, me protegendo do frio da rua e da frialdade ilusória de mim mesma.
* Por que não um reggae?
Doce e suave perfume, que nunca soube qual era, e nunca existiu em outros tecidos.
Eu me perguntava se tal cheiro era de frasco ou de pele. Doce, suave e natural, como o sorriso, a camiseta cortada, o jeito de prender o cabelo... De repente o frio, e era tarde. Meus ombros monstruosamente encolhidos, ainda mais do que de costume, auto-friccionando os braços cujos pelinhos estavam parecendo bolinhas de tão arrepiados. Não tinha vento. Era o inverno chegando, mas não a ponto de soprar fumaça. As paredes da casa não me deixaram perceber o passar das horas nem o esfriar taciturno das luminárias.
Aliás, não só as paredes. Também a frestinha do espelho do banheiro, que eu conseguia ver pelo corredor. Refletia as nuanças entre testa e ombro, do lado esquerdo. Só. Dependentes da iluminação da tevê, que reluzia várias cores, me permitindo uma viagem meio psicodélica meio quase litúrgica de tentar enxergá-la naquela frestinha distante refletora.
Abrir a porta foi voltar à realidade - fria e peremptória. Sem redenção. Exatamente como o céu negro e sem estrelas que punha fim a mais um cândido dia de quimera, me anunciando a inimizada hora de partir. Deparar-me com tal noite insípida mais do que serviu para se ajustar a meu estado de espírito.
Minha pele gelada refletia meu descontentamento, que foi percebido assim que em contato para se despedir. Tão logo, a solução que nem pretendia ser mas era, sem saber, minha recompensa.
- Pega o meu moletom.
O vesti como um abraço, que me aqueceu o corpo e os ânimos. Era branco, com um desenho estampado. E tinha a fragrância! Doce, suave e natural. Agora em mim, comigo, me protegendo do frio da rua e da frialdade ilusória de mim mesma.
* Por que não um reggae?
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